Bispo das Forças Armadas e de Segurança desafia militares portugueses a serem “Sentinelas da Paz”

Bispo das Forças Armadas e de Segurança desafia militares portugueses a serem “Sentinelas da Paz”

  • 21/05/2026 09:59
  • Redação

O bispo das Forças Armadas e de Segurança, D. Sérgio Dinis, exortou os 160 peregrinos portugueses que participam na 66.ª Peregrinação Militar Internacional (PMI) a Lourdes a assumirem-se como verdadeiras “Sentinelas da Paz”, tema central da edição deste ano do encontro internacional.

“Eu te constituí sentinela sobre a casa de Israel” (Ez 33,7) é a passagem bíblica que serve de ponto de partida para a reflexão espiritual dirigida aos militares portugueses, na qual o prelado sublinha que a sentinela “não é uma categoria profissional; é uma vocação”.

Na mensagem para a peregrinação, D. Sérgio Dinis recorda que os homens e mulheres das Forças Armadas e de Segurança não foram chamados apenas a cumprir funções ou ordens, mas a viver uma missão permanente de vigilância e serviço em favor da paz.

“A vocação não é o que fazeis; é aquilo que sois”, refere o texto, acrescentando que quem vive esta missão “leva-a consigo para todo o lado: para a mesa de família, para o silêncio da madrugada, para os momentos em que o mundo adormece e alguém precisa de permanecer vigilante”.

O percurso que leva os peregrinos portugueses até Lourdes, em França, começou esta quarta-feira, com partidas da Academia Militar e do Estado-Maior da Força Aérea, em Lisboa, às quais se irão juntar outros participantes provenientes do Regimento de Infantaria n.º 19, em Chaves.

Ao todo, são 160 peregrinos portugueses que participam na 66.ª Peregrinação Militar Internacional, que decorre entre os dias 22 e 24 de maio, subordinada ao tema “Sentinelles de la Paix” – “Sentinelas da Paz”. Este ano, a representação nacional está a cargo do Exército.

A comitiva integra militares, antigos combatentes, familiares e capelães militares, num encontro internacional marcado pela oração, fraternidade e promoção da paz entre povos e nações.

Na reflexão espiritual, o bispo das Forças Armadas e de Segurança alerta ainda para “a ferida da paz ameaçada”, sublinhando que existem conflitos e divisões que “nenhum armamento resolve e nenhuma fronteira contém”.

Citando o Papa Leão XIV, D. Sérgio Dinis recorda que “a paz do Cristo ressuscitado é desarmada e desarmante, humilde e perseverante”, defendendo que a missão mais elevada dos militares passa por serem construtores de reconciliação e esperança.

“Peregrinar é subir ao posto da sentinela espiritual”, escreve ainda o prelado, apresentando Lourdes como um lugar de oração, fraternidade e reencontro interior, onde os militares são convidados a olhar para além “das tensões do quotidiano” e da simples ausência de conflito.

A peregrinação reúne militares, antigos combatentes, familiares e capelães de vários países num encontro marcado pela oração, convivência e promoção da paz e da reconciliação entre povos. A abertura internacional da iniciativa está marcada para sexta-feira, às 21h00, na Basílica de São Pio X.

No sábado de manhã, os peregrinos portugueses participarão num desfile até à Capela de Santos Cosme e Damião, seguindo-se um momento de reconciliação e uma missa presidida por D. Sérgio Dinis, concelebrada pelos capelães militares que acompanham a delegação portuguesa.

O programa inclui ainda a tradicional fotografia de grupo na esplanada do Santuário Mariano, a Via-Sacra, a Procissão de Velas e a recitação do Rosário em várias línguas. No domingo, os participantes de todas as delegações internacionais estarão reunidos na Missa Internacional, também na Basílica de São Pio X.

Entre os momentos mais emblemáticos da programação internacional destacam-se ainda a Cerimónia Militar Internacional, o Festival das Músicas Militares, o desafio “Feridos e Válidos” e um salto de paraquedas no recinto do santuário.

A Peregrinação Militar Internacional nasceu de um gesto de reconciliação após a Segunda Guerra Mundial. Em 1947, o padre francês André Besombes convidou o sacerdote alemão Ludwig Steger, ambos antigos capelães militares, para uma peregrinação conjunta a Lourdes. O encontro esteve na origem da iniciativa que viria a ganhar forma em 1958, com a primeira edição oficial da peregrinação.

Desde então, Lourdes tornou-se um símbolo de encontro, paz e fraternidade entre militares de diferentes países, chegando agora à 66.ª edição do evento internacional.

  • Fonte: Rádio Renascença
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