Falsos inspetores da PJ seduziam vítimas online: rede de "sextortion" rendeu um milhão de euros

Falsos inspetores da PJ seduziam vítimas online: rede de "sextortion" rendeu um milhão de euros

  • 21/05/2026 16:11
  • Redação

A Polícia Judiciária (PJ) deteve um jovem de 22 anos, estudante universitário, suspeito de integrar uma rede criminosa dedicada à prática de crimes de sextortion, burla qualificada, recetação e branqueamento de capitais, no âmbito da operação “Laço de Eros”, desencadeada nas zonas do Montijo e Setúbal.

Em comunicado, a Polícia Judiciária revelou que estão em causa “dezenas de crimes de extorsão agravada”, num esquema que terá gerado lucros ilícitos na ordem de um milhão de euros.

A detenção foi realizada pelo Departamento de Investigação Criminal da Guarda, após a realização de cinco buscas domiciliárias que permitiram recolher “sólidos e relevantes elementos de prova”.

Segundo a PJ, o suspeito recorria às redes sociais e a técnicas de engenharia social para conquistar a confiança das vítimas e levá-las a partilhar fotografias íntimas. Numa fase posterior, essas imagens eram utilizadas como forma de chantagem, com os suspeitos a ameaçarem divulgar o conteúdo caso não fossem entregues quantias avultadas de dinheiro.

“Quando não cediam à chantagem, outros elementos do grupo entravam em ação, fazendo passar-se por inspetores da PJ, com vista a coagir as vítimas a pagar supostas ‘multas’ ou ressarcirem hipotéticos menores a quem teriam sido divulgadas tais fotografias”, acrescenta a nota.

Ainda segundo a PJ, o dinheiro obtido através do esquema era depois distribuído por várias contas bancárias, tituladas pelo suspeito, familiares e terceiros, numa tentativa de dissimular a origem ilícita dos valores e dificultar o rastreamento financeiro pelas autoridades.

A PJ sublinha que “a atividade criminosa apenas cessou no momento da intervenção” policial.

A operação contou com o apoio de várias unidades especializadas da PJ, incluindo a Unidade de Perícia Tecnológica e Informática (UPTI) e a Unidade de Armamento e Segurança (UAS).

O detido será presente a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação consideradas adequadas.

A investigação, dirigida pelo DIAP da Guarda, prossegue para identificar todos os suspeitos envolvidos e apurar o número total de vítimas.

  • Fonte: Rádio Renascença
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