Stephen Colbert "cancelado pelo monstro cor de laranja". Luís Filipe Borges e Nilton criticam fim do "The Late Show"

Stephen Colbert "cancelado pelo monstro cor de laranja". Luís Filipe Borges e Nilton criticam fim do "The Late Show"

  • 21/05/2026 20:17
  • Redação

Depois de 33 anos de história na televisão norte-americana, desligam-se as luzes e arruma-se o cenário do "The Late Show".

Colega comediante e ex-apresentador do mesmo programa da emissora pública, Luís Filipe Borges, também acredita que esta é "uma despedida forçada".

Apesar das ameaças e de ser acusado por Trump como "um tipo sem talento", "sem graça", "nojento" com um programa "muito aborrecido", o humorista, de 62 anos, nunca hesitou em criticar Trump e até a própria emissora norte-americana.

Em 1993 começou a história deste marco da cultura popular norte-americana – que o resto do mundo abraçou – nas mãos de David Letterman. Colbert pegou no testemunho e assumiu a partir de 2015 os comandos como anfitrião do "The Late Show".

Os monólogos políticos e satíricos que não davam descanso à governação de Trump – desde a época das bandeiras e bonés "Make America Great Again" da campanha presidencial à Casa Branca – e acabaram por resultar, em julho de 2025, no anúncio de cancelamento do programa.

Depois de a CBS chegar a acordo num processo de cerca de 16 milhões de euros, Colbert descreveu a situação, durante a emissão do programa, como um "enorme e rechonchudo suborno". Dois dias depois, foi publicada a notícia de que o programa seria descontinuado em meados de 2026.

"Adorei que Colbert tenha sido despedido. O seu talento era ainda menor do que a sua audiência", celebrou Trump nas redes sociais.

"É uma tristeza, porque talvez seja dos humoristas mais consensuais e equilibrados", lamentou Nilton sobre a saída do apresentador norte-americano.

Para o humorista, Colbert era uma "importante bitola" no humor e na televisão e, por isso, estranha esta despedida.

"Acho estranho porque há pessoas bem mais radicais, como o Jimmy Kimmel ou o Jon Steward, mas talvez isto tudo é relacionado com os patrões", justificando que "o programa 'The Late Show' é vítima de pressão política".

"É muito bonito ver o quanto o Stephen Colbert está a ser celebrado nestes últimos dias." Para Luís Filipe Borges, também é fácil elogiar o percurso de Colbert, mas o fim deste programa "é terrível para a liberdade de expressão".

"É o fim de uma das horas de televisão mais privilegiadas de sempre na história dos Estados Unidos", afirma.

Stephen Colbert "foi cancelado pelo monstro cor de laranja que é líder da maior superpotência do mundo", atira o humorista.

Sobre o motivo da descontinuação do "The Late Show", Luís Filipe Borges resume a "uma desculpa esfarrapada" que "deixa um gosto muito amargo na boca".

"É evidente que os 'talk shows' têm menos audiência hoje do que já tiveram no passado, mas a explicação é muito simples: o nosso público está estratificado por um sem fim de plataformas, mas, mesmo assim, continuava a ser líder no seu horário", relembra.

Confessando até que o "The Late Show" era o seu programa preferido para ver enquanto tomava o pequeno-almoço, Luís Filipe Borges acredita que vão fazer falta "os monólogos do crítico muito ferrenho do Estado do Mundo e do líder dos atuais inenarráveis Estados Unidos".

Colbert vai despedir-se do "The Late Show", segundo o próprio, com um episódio "algo simples", de duração alargada e convidados surpresa.

Em homenagem ao trabalho do colega, tanto Jimmy Kimmel como Jimmy Fallon não vão transmitir um novo episódio na noite de despedida da televisão de Colbert, repetindo um antigo.

Depois desta despedida, o programa vai ser retirado da grelha da CBS e vai ser substituído pelo programa "Comics Unleashed", do empresário Byron Allen.

  • Fonte: Rádio Renascença
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