Portugueses da flotilha: "Fomos espancados, obrigados a estar de joelhos durante horas"
- 22/05/2026 04:20
- Redação
Faltavam poucos minutos para as 10h00 desta sexta-feira quando o atrium de chegadas do Aeroporto Francisco Sá Carneiro foi inundado pelos festejos de dezenas de pessoas que esperavam, de bandeiras da palestina na mão, e com as palavras "Palestina Livre" na ponta da língua, pelos dois ativistas que viajavam na flotilha humanitária com destino a gaza, interceptada por Israel na segunda-feira.
Foi entre abraços apertados e muitas lágrimas à mistura que Maria Beatriz Bartilotti Matos e Gonçalo Reis Dias foram recebidos pelas suas famílias e amigos. Não quiseram falar para a comunicação social, por respeito a um momento que pertencia aos dois ativistas, mas confessavam que o sobressalto e o medo ainda lhes deixava o coração apertado, apesar de já não haver perigo.
Era também de coração sobressaltado que continuava Beatriz Bartillotti, que não parava de tremer enquanto recordava os momentos de violência a que foi sujeita.
"Fomos espancados recorrentemente, obrigados a estar de joelhos durante horas, houve pessoas na prisão que eu estava que foram alvejadas, pessoas com membros partidos, eu apesar de tudo tive sorte que não levei nenhum tiro e não parti nenhum braço", relatava, visivelmente incomodada.
Gonçalo Reis, mais calmo, fazia o mesmo relato das "horas pesadas" marcadas por violência pelas mãos das autoridades israelitas.
"Bateram-me, amarraram as algemas com muita força, ainda não sinto estes três dedos, deram-me cotoveladas, pontapés, mas nada comparado com o que outras pessoas sofreram", ressalvou.
Inundado de apoiantes em seu redor, o ativista saudou todo o apoio que recebeu da sociedade e dos orgãos diplomáticos portugueses, mas o sentimento é agridoce, porque, segundo dizia, "a missão não está cumprida".
"Tenho que entender ainda qual foi a repercussão. Na verdade, a missão será cumprida quando os nossos governos se posicionarem, quando Portugal cortar relações com Israel, comerciais, quando deixarmos de permitir que os Estados Unidos usem a base das lajes como quiserem para fazer guerra no Médio Oriente", exigiu.
Ainda que a missão não tenha sido totalmente cumprida, o português não esconde a felicidade por reencontrar a família e, apesar de tudo aquilo porque que passou, "voltaria a fazer tudo de novo", garantiu.