Dados de utentes. Pais criticam alegada falha de segurança no SNS

Dados de utentes. Pais criticam alegada falha de segurança no SNS

  • 22/05/2026 10:11
  • Redação

Esta mãe admite que "fica mais descansada" com a notícia de que o caso está a ser investigado. No entanto, lamenta que "o Serviço Nacional de Saúde não tenha segurança suficiente para não permitir que acedam indevidamente a dados como a morada e número de telefone e informações clínicas".

Inês "reportou logo a situação ao centro de saúde e ao hospital" da sua localidade, tendo-lhe sido recomendada a apresentação de uma queixa junto das autoridades. Não foi a única. "Tinha aqui muitas pessoas", assegura.

“Ontem à noite recebi uma mensagem de alerta no grupo de pais que tenho da escola das minhas filhas, pelo WhatsApp, a alertar que esta situação estava a acontecer com uma mãe. Depois, essa mãe apercebeu-se que estava a acontecer com mais pessoas”, explicou.

Segundo Catarina Dias, após o alerta decidiu verificar os registos de acesso no Portal do Utente dos filhos.

“Consultei das minhas duas filhas primeiro, não tinha nada, e depois consultei do mais novo. E aí sim, do mais novo apareceu que esse médico de Miranda do Corvo, acedeu à meia-noite e cinquenta e sete do dia vinte e um ao processo clínico”, relatou.

A mãe diz que, entretanto, outros pais começaram igualmente a encontrar acessos semelhantes.

“Em conversa com outros pais também reparámos que estavam a aparecer cada vez mais casos”, afirmou.

Perante a situação, Catarina Dias apresentou uma participação online à Comissão Nacional de Proteção de Dados e dirigiu-se esta manhã a uma esquadra da PSP para formalizar a denúncia.

“O que eu fiz foi fazer queixa na Comissão Nacional de Proteção de Dados, online, e hoje de manhã dirigi-me à esquadra”, contou.

Segundo refere, as autoridades indicaram apenas que as participações serão remetidas ao Ministério Público para investigação.

“Disseram-me que o importante é fazer a queixa para ir para o Ministério Público e investigarem, porque realmente não conseguem dar mais nenhuma informação”, disse.

A mãe sublinha que, no caso da sua família, apenas o processo clínico de um dos três filhos foi alvo de acesso indevido.

De acordo com os relatos recolhidos entre os encarregados de educação, os casos estarão concentrados numa faixa etária específica.

“Pelo que eu tenho visto, são crianças da faixa etária específica, ali dos três aos seis anos, da região Norte”, afirmou Catarina Dias, acrescentando que algumas crianças da turma das filhas também terão sido afetadas.

O caso chegou também ao Portal da Queixa, onde vários pais relatam alegados acessos indevidos a dados de menores associados a uma unidade de saúde localizada em Miranda do Corvo.

Segundo o Portal da Queixa, verificou-se igualmente um aumento das pesquisas online relacionadas com expressões como “acesso indevido histórico clínico”, “SNS24”, “Miranda do Corvo” e o nome “John Freddy Bermudez”, refletindo a preocupação crescente dos cidadãos.

Entre as reclamações publicadas, uma utilizadora afirma que “tomámos conhecimento de que foi efetuado acesso e/ou abertura de registos clínicos pelo médico John Freddy Bermudez na unidade de saúde de Miranda”.

Outro encarregado de educação escreve que “tomei conhecimento de que terá sido efetuado acesso e/ou abertura de registos clínicos do meu filho, menor, pelo médico John Freddy Bermudez, na unidade de saúde de Miranda do Corvo”.

Num terceiro testemunho, um utilizador refere que houve “acesso e/ou abertura de registos clínicos pelo médico John Freddy Bermudez numa unidade de saúde que desconhecemos totalmente e onde a menor nunca foi acompanhada, autorizada ou inscrita”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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