Espécies invasoras são um "problema grave," mas "muito desconhecido"

Espécies invasoras são um "problema grave," mas "muito desconhecido"

  • 23/05/2026 11:00
  • Redação

Ao longo de uma semana, a iniciativa ibérica organiza cerca de 350 atividades gratuitas e abertas ao público entre Portugal e Espanha. “O objetivo”, explica a investigadora da Universidade de Coimbra, “é que muitas pessoas contactem com o tema e fiquem mais sensibilizadas para este problema grave, mas que ainda é muito desconhecido do público em geral”.

“Todas as espécies que são introduzidas num novo território”, esclarece Elizabete Marchante, “são espécies exóticas”, mas a maior parte não consegue reproduzir-se sozinha. No entanto, “há uma parte delas que começa a multiplicar-se e a afastar-se dos locais de introdução e, com isso, a ter impactos negativos tanto em termos ecológicos como socioeconómicos”, avisa.

Exemplo disso, refere a investigadora, são os jacintos-de-água: “É uma espécie aquática que tem efeitos muito claros na vida humana porque, além do impacto que vai ter nas espécies que vivem dentro de água, vai impedir a sua utilização pelo ser humano porque o espelho de água fica totalmente tapado e com um sistema completamente modificado”.

Em Portugal, existem muitas áreas invadidas, mas “os recursos necessários para conseguir geri-las são proibitivos”, lamenta a académica. O ideal é, portanto, investir na prevenção. “As boas práticas nas invasões biológicas remetem claramente para investir na sensibilização das populações para que seja possível detectar as espécies o mais cedo possível e não as deixar fixar-se, estabelecer-se e aumentar”.

“A espécie vai ser registada com as coordenadas do local onde está, e depois a aplicação tem um algoritmo que vai fazer a identificação. A informação fica disponível para investigadores e qualquer pessoa que tenha interesse em ter os dados de localização das espécies”, afirma Elizabete Marchante.

Através da ciência cidadã, qualquer pessoa pode ajudar os cientistas e os técnicos, que, nota a investigadora, “não conseguem estar em todo o lado”. Esta atividade “é uma maneira de recolhermos informação sobre a dispersão das espécies invasoras em Portugal e em Espanha durante esta semana”, conclui.

  • Fonte: Rádio Renascença
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