Dia da Marinha. “Tem de partir de nós próprios uma capacidade de chegar a mais pessoas”

Dia da Marinha. “Tem de partir de nós próprios uma capacidade de chegar a mais pessoas”

  • 23/05/2026 11:10
  • Redação

“Celebrar a Marinha é celebrar a identidade de Portugal”, começa por referir o Ministro da Defesa aos jornalistas, depois de um discurso para os mais de 570 militares presentes e para todos aqueles que em Setúbal se juntaram na zona do porto para assinalar a data. Todos estes ouviram Nuno Melo tecer fortes elogios a uma Marinha em que “encontramos exemplo do passado que mais nos inspira enquanto povo”, lembrando os descobrimentos e a “primeira globalização” levada a cabo pelos portugueses.

Para Nuno Melo é fundamental continuar a investir neste setor, que faz de Portugal não “um país pequeno”, mas sim “um país gigantesco”. Afinal, “a maior parcela do nosso território é mar” e “se tivermos em conta que o mar é território, Portugal é um país gigantesco”, reforça o ministro com a tutela das Forças Armadas. E neste mar “estão recursos", sendo "atravessado por cabos submarinos de que depende a economia à escala global e fazem-se ações de busca e salvamento e de combate à criminalidade”. Perante as palavras do governante, a conclusão apenas pode ser uma. Nas palavras do próprio, é necessário “aumentarmos os índices de recrutamento” e se tal for feito “neste tempo curto mais adiante teremos melhores condições do que as que recebemos há dois anos”.

O apelo para dar “à Marinha as capacidades necessárias”, pedindo a que novas gerações “troquem a espuma dos dias pela espuma das ondas” do representante do Governo, serve que nem uma luva para o Chefe do Estado Maior da Armada reconhecer a obrigatoriedade de conhecer o perfil dos jovens que se podem interessar por uma carreira nesta área.

“Tem de partir de nós próprios uma capacidade de chegar a mais pessoas. Tenho cerca de 65% do meu pessoal que são nativos digitais: geração y e geração z. São pessoas que têm outros anseios, outras ambições, outras formas de estar e de ver a vida. Nós também temos de fazer o esforço e estamos a fazê-lo. Acreditem que não é simples. Quando vim para a Marinha vim abraçar uma carreira de 36 anos. Estas gerações hoje em dia não pensam nesta dimensão”, reflete o Almirante Jorge de Sousa, que durante o discurso que executou neste dia deixou fortes elogios a todos os membros da Marinha portuguesa.

“Apesar de todas as dificuldades, continuam a servir com profundo orgulho Portugal”, reforçou, afirmando ainda que tem notado melhorias nas condições que são dadas a estes trabalhadores nos últimos anos. Ainda, claro, com muito caminho para andar. Ou melhor, com muito oceano por navegar.

Setúbal recebeu pela quarta vez na sua história o Dia da Marinha (a última vez em 2011). A efeméride celebra a chegada de Vasco da Gama à Índia (a 20 de maior de 1498). À cerimónia militar seguiu-se uma demonstração naval, com uma explicação dos materiais e técnicas usadas por este ramo das Forças Armadas quando chamado a intervir.

  • Fonte: Rádio Renascença
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