PCP diz que falta apenas "um empurrão para o pacote laboral ir ao chão"
- 23/05/2026 15:59
- Redação
O secretário-geral do PCP considerou hoje que falta apenas “um empurrão para o pacote laboral ir ao chão” e que o Governo se “vai dar mal” porque os trabalhadores estão unidos contra este “assalto aos seus direitos”.
À margem da XII Assembleia da Organização Regional de Aveiro do PCP, que decorreu em Espinho, Paulo Raimundo considerou que o Governo PSD/CDS-PP pensava que ia ter uma “passadeira vermelha” para avançar no assalto aos direitos dos trabalhadores e para impor o pacote laboral.
“Ora, se pensaram isso, pensaram mal porque a luta dos trabalhadores, desde logo com a greve geral de 11 de dezembro, travou-lhes o passo e trocou-lhes as voltas”, afirmou Paulo Raimundo.
Apesar de o executivo de Luís Montenegro não ter desistido do pacote laboral, os trabalhadores criaram-lhe e continuam a criar muitas dificuldades, apontou.
“É só mais um empurrão e, de facto, este pacote tem mesmo que ir ao chão”, considerou Paulo Raimundo.
O líder comunista destacou que o primeiro-ministro disse que as pessoas e as empresas estão com o pacote laboral, mas esqueceu-se de especificar que a percentagem dos que estão a favor é apenas de 10%.
“São 10% das famílias que detêm 60% de toda a riqueza do país e eu sei porquê”, frisou Paulo Raimundo.
E acrescentou: “Eu sei e percebemos bem porque é que a família Azevedo, a família Soares dos Santos, Mota, Queiroz Pereira e Amorim, essas dos 650 milhões de dividendos que foram para o bolso deles, eu percebo por que razão é que estão com o pacote laboral”, afirmou.
O secretário-geral do PCP destacou que as restantes 90% das famílias não podem estar de acordo, por uma razão simples: não podem compactuar com mais precariedade ou despedimentos sem justa causa.
“Um trabalhador nunca pode estar de acordo com isso”, considerou Paulo Raimundo, apelando à mobilização de todos para a greve geral de 3 de junho.
Paulo Raimundo ressalvou ainda que o problema é que o primeiro-ministro acredita mesmo na sua propaganda e na sua narrativa.
“O senhor primeiro-ministro está com um problema que lhe vai sair caro. Se ele não sair da sua própria narrativa, criada a partir da sua própria propaganda, acho que se vai dar mal”, entendeu Paulo Raimundo.
A CGTP entregou um pré-aviso de greve geral para 3 de junho contra as alterações à lei laboral, após as negociações com o Governo terem terminado sem acordo.
O Governo aprovou, na semana passada, em Conselho de Ministros, a proposta de lei de revisão da legislação laboral, que será discutida no parlamento.
O anúncio foi feito pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Rosário Palma Ramalho, em conferência de imprensa, uma semana depois de o Governo ter dado por terminadas as negociações sobre as alterações à legislação laboral sem acordo na Concertação Social.