Transportadoras à beira do limite: “O setor está completamente asfixiado”

Transportadoras à beira do limite: “O setor está completamente asfixiado”

  • 24/05/2026 03:00
  • Redação

A Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) alerta para o facto de o setor estar a viver "uma situação de emergência".

Em causa estão apoios por viatura, o apoio à Segurança Social, referente aos meses de maio, junho e julho, e a compensação de 10 cêntimos por litro de combustível. “Até ao momento, não chegou qualquer valor. Mesmo a medida dos 10 cêntimos por litro anunciada também ainda não chegou ao setor", critica o dirigente associativo.

“O setor está asfixiado, completamente asfixiado. Não há qualquer dúvida. É importante e urgente que estes apoios possam chegar às empresas e, eventualmente, até ser renovados no tempo", enfatiza Pedro Polónio.

O impacto da guerra sentiu-se rapidamente. Pouco mais de uma semana depois do início do conflito, os preços dos combustíveis em Portugal terão disparado mais de 30%. Para uma transportadora, isso significa que um camião que gastava cerca de três mil euros por mês em gasóleo passou a gastar perto de quatro mil.

"Temos dezenas de milhares de camiões em Portugal a gastar aproximadamente mais mil euros de gasóleo por mês do que aquilo que era o custo normal.”

O problema é particularmente grave num setor onde as margens são reduzidas. Pedro Polónio lembra que muitas empresas ganham, num bom mês, apenas 300 ou 400 euros por camião. Com um aumento de mil euros só no combustível, qualquer falha na passagem desses custos para os clientes transforma lucro em prejuízo.

“Estamos a falar de uma atividade com uma taxa de rentabilidade inferior a 3%, o que mostra bem quão difícil e perigoso é para a sustentabilidade destas empresas aquilo que estamos a viver”, explica.

À pressão dos preços dos combustíveis soma-se a quebra na procura. A ANTRAM nota uma desaceleração no transporte internacional, sobretudo para França e Alemanha, reflexo do abrandamento das economias da Europa Central. Os clientes estão também a tentar consolidar cargas, enviando menos camiões para reduzir custos.

As transportadoras mais pequenas são as primeiras a ceder. Há empresas que, quando perdem um motorista por saída ou reforma, já não voltam a colocar o camião na estrada.

  • Fonte: Rádio Renascença
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