Américo Mendes: "A IA coloca-nos perante o perigo da desumanização”

Américo Mendes: "A IA coloca-nos perante o perigo da desumanização”

  • 25/05/2026 01:00
  • Redação

O especialista em Economia Social Américo Mendes, professor da Universidade Católica, diz que a primeira encíclica de Leão XIV revela a atenção do Papa à realidade.

Para o Américo Mendes, o Papa quis trazer para a ordem do dia “a mudança tecnológica mais importante que está a acontecer no mundo” e que “vai ter um impacto enormíssimo na sociedade”.

“A encíclica deve sublinhar a necessidade de a IA não pôr em causa o que é essencial à vida de qualquer ser humano, que são as relações interpessoais”, acrescenta.

Para Américo Mendes, “a IA traz mais mediações na relação entre os seres humanos", o que faz com que haja "um perigo de desumanização", algo que "está bem refletido no título desta encíclica”.

"A evolução da inteligência artificial vai exigir de cada um de nós e das instituições, das várias organizações de que são feitas as sociedades humanas um esforço maior ainda do que aquilo que tem sido necessário para preservarmos a qualidade das relações humanas e para não degradarmos, não fazermos com estas novas tecnologias coisas que ponham em causa a dignidade humana."

Por outro lado, de acordo com Américo Mendes, para além de o Papa chamar a atenção para a eventual degradação das relações humanas e para “o perigo da desumanização”, Leão XIV reforçará uma ideia por si já defendida: “Vai ser difícil descobrir a presença de Deus na IA.”

“Quando se mete pelo meio tecnologia, seja ela a inteligência artificial ou outra, que nos impede de reconhecermos, de vermos o nosso próximo e cuidarmos dele e de o amar como Deus nos recomendou logo no princípio dos mandamentos, temos problema, não é?”, argumenta.

“Provavelmente, será isso que ele quer dizer. Se essas novas tecnologias não nos deixarem ver que do outro lado está uma pessoa, que do outro lado está um ambiente que precisa ser preservado e que não pode ser destruído, realmente deixa de haver Deus nessa relação e esse é o perigo maior que esta mudança tecnológica pode trazer, tal como outras que aconteceram no passado e que também tiveram esse problema”, acrescenta.

  • Fonte: Rádio Renascença
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