Todos os anos desaparecem 89 crianças em Portugal. Internet é mais perigosa que a rua
- 25/05/2026 04:05
- Redação
Os jovens fogem cada vez mais das famílias e das instituições. O retrato é feito pelo presidente do Instituto de Apoio à Criança, Manuel Coutinho, que, no Dia Internacional das Crianças desaparecidas que se assinala esta segunda-feira, alerta para os perigos da internet.
“Muitas vezes as crianças fogem e cada vez fogem mais das famílias e fogem mais das instituições. Porquê? Porque, se calhar, também são muito aliciadas por aquilo que se passa no submundo da Internet", admite.
O responsável fala de uma realidade que “traz uma grande preocupação”. Daí, acrescenta, ser necessário que todos tenhamos "muita atenção”.
“O que leva muitas vezes ao desaparecimento não é as crianças andarem a passear ou a brincar nos jardins públicos. É muitas vezes andarem a navegar na Internet”, avisa Manuel Coutinho.
Entre 2020 e 2025, o IAC registou o desaparecimento de 532 crianças, o que representa “em média 89 crianças por ano”. Manuel Coutinho reconhece que “a maiorparte das crianças desaparecidas consegue ser recuperada”. No entanto, lamenta, “por vezes já passaram por situações de maus-tratos, situações de abusos sexuais, situações de privação e são sempre situações muito, muito, muito complexas”.
Sobre o caso das duas crianças abandonadas em Alcácer do Sal, o presidente do IAC admite não se recordar de uma situação semelhante vivida em Portugal e assegura que, por vezes, a realidade ultrapassa a ficção.
“Não tenho memória que tenha acontecido em Portugal um caso com contornos como este que aconteceu agora do abandono e da exposição destas crianças. No entanto, também sabemos que a realidade, infelizmente, por vezes, ultrapassa a ficção”, remata.
Esta segunda-feira é o Dia Internacional das Crianças desaparecidas. A data é assinalada pelo Instituto de Apoio à criança com um webinar com a Polícia Judiciária e da equipa da Linha SOS Criança desaparecida - 116 000.