Obesidade estabiliza em vários países europeus, incluindo Portugal
- 25/05/2026 06:33
- Redação
Um estudo internacional publicado na revista científica Nature conclui que a obesidade está a estabilizar — e, em alguns casos, até a diminuir — em vários países de elevado rendimento, incluindo Portugal, após décadas de crescimento contínuo.
A investigação contou com a participação de investigadores da Universidade de Coimbra e foi liderada pela NCD Risk Factor Collaboration, em parceria com o Imperial College London.
O estudo analisou a evolução da obesidade em 200 países e territórios entre 1980 e 2024, recorrendo a uma das maiores bases de dados epidemiológicos já reunidas nesta área, com informação proveniente de milhares de estudos populacionais e centenas de milhões de participantes.
Os resultados mostram que, após um crescimento acelerado ao longo das últimas décadas do século XX, “observa-se um abrandamento claro” da obesidade na maioria dos países de elevado rendimento.
Segundo os investigadores, em vários países verifica-se mesmo “uma estabilização das taxas e, em alguns casos, sinais de diminuição”, sobretudo entre crianças e adolescentes, tendência que mais tarde se reflete também na população adulta.
Entre os exemplos mais evidentes desta evolução estão países da Europa Ocidental, como Portugal, França e Itália.
Os autores defendem que a ideia de uma “epidemia global de obesidade” pode ser demasiado simplista, já que esconde realidades muito diferentes entre países e regiões.
De acordo com o estudo, fatores como as condições sociais e económicas e o acesso a alimentos saudáveis têm um peso decisivo na evolução da obesidade.
O professor Majid Ezzati, coordenador do estudo, considera que os resultados demonstram que “o aumento da obesidade não é inevitável e pode ser travado, ou mesmo invertido, através de políticas adequadas”.
Ainda assim, o investigador alerta que os níveis atuais continuam elevados e que persistem desigualdades significativas entre diferentes regiões do mundo.
Apesar dos sinais positivos em países mais desenvolvidos, a investigação sublinha que a obesidade continua a aumentar de forma consistente em vários países de baixo e médio rendimento, sobretudo em regiões de África, Ásia, América Latina e em ilhas do Pacífico e Caraíbas.
Para Aristides Machado-Rodrigues, coautor do estudo e investigador da Universidade de Coimbra, analisar “não apenas a prevalência, mas também a velocidade de mudança da obesidade ao longo do tempo” permite identificar com maior precisão os contextos onde são necessárias respostas mais urgentes.
O investigador defende a adoção de “políticas públicas robustas nas áreas da saúde e da alimentação”, capazes de acompanhar as mudanças económicas, tecnológicas e nutricionais em curso.
O trabalho contou ainda com a participação de vários investigadores da Universidade de Coimbra, ligados às faculdades de Ciências e Tecnologia, Medicina, Letras e Ciências do Desporto e Educação Física.