França investiga mais de 100 denúncias de abusos em escolas e creches públicas

França investiga mais de 100 denúncias de abusos em escolas e creches públicas

  • 25/05/2026 07:54
  • Redação

Segundo a procuradora de Paris, Laure Beccuau, citada pela imprensa francesa, estão em curso investigações em 84 pré-escolas, cerca de 20 escolas primárias e aproximadamente 10 creches.

Os casos envolvem alegados maus-tratos a crianças com idades entre os três e os onze anos, durante períodos de almoço, descanso ou atividades extracurriculares supervisionadas por monitores escolares.

Grupos de pais afirmam que tentaram durante anos alertar as autoridades para os abusos sem serem levados a sério. Alegam ainda que falhas no recrutamento e na verificação de antecedentes dos monitores permitiram a continuação das agressões.

“É um escândalo enorme”, afirmou Florian Lastelle, advogado de famílias que apresentaram queixas à polícia de Paris. “O sistema escolar público é motivo de orgulho neste país, mas infelizmente na França hoje não é possível dizer que o serviço público garante a segurança das crianças”, disse, citado pelo The Guardian.

As denúncias relatadas pelos pais incluem episódios de crianças alegadamente insultadas, empurradas, puxadas pelo cabelo, privadas de comida ou forçadas a comer até vomitarem. Há também acusações de agressões sexuais e violações.

O advogado Louis Cailliez revelou ter apresentado queixas em fevereiro relativas a alegadas violações de crianças em 2025. Um dos casos envolve uma menina de três anos que terá sido violada por um monitor escolar numa escola no oeste de Paris.

Num outro caso, um menino da mesma idade terá sido abusado pelo mesmo funcionário, que entretanto, teria sido transferido para outra escola após queixas relacionadas com violência física sobre crianças.

“É tortura diária para os pais que querem que a investigação avance para estabelecer a dimensão dos crimes”, afirmou Cailliez.

O julgamento de um monitor escolar acusado de abusar sexualmente de cinco crianças, com idades entre os três e os cinco anos, numa creche do 11.º bairro de Paris, deverá arrancar na próxima semana. Entretanto, é esperado para o próximo mês o veredito de outro processo que envolve um funcionário escolar de 47 anos, suspeito de abusar sexualmente de nove raparigas de 10 anos na capital francesa.

Entre janeiro e abril, a Câmara Municipal de Paris suspendeu 78 monitores escolares, incluindo 31 suspeitos de abuso sexual.

O presidente da câmara de Paris, Emmanuel Grégoire, anunciou um plano de 20 milhões de euros para enfrentar o que descreveu como uma “grande disfunção” no sistema de acompanhamento escolar da cidade.

“Se houve um erro coletivo, foi tratar estes incidentes como casos isolados, quando apontam para um risco sistémico”, afirmou o autarca.

Associações de pais consideram que o problema é estrutural e denunciam uma cultura de silêncio em torno dos abusos.

“A sociedade francesa está a abrir os olhos para o facto de que a escola não é o santuário que pensávamos”, afirmou um porta-voz do coletivo #MeTooEcole. “As crianças estão a ser confrontadas com todas as formas de violência: desde violência verbal e física até agressão sexual.”

  • Fonte: Rádio Renascença
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