Papa Leão XIV: “É preciso desarmar a IA”

  • 25/05/2026 09:12
  • Redação

Leão XIV considera que enfrentamos uma transformação de magnitude semelhante à da Revolução Industrial que motivou o seu antecessor Leão XIII a escrever a ‘Rerum Novarum’.

“Tal como o “Leão” anterior, sinto-me incumbido de contemplar outra grande transformação com olhos de fé, lucidez de razão, abertura ao mistério e com os clamores dos pobres e da Terra a ressoar no meu coração” disse, nesta sessão, que decorreu no Vaticano. ‘Magnifica Humanitas’ nasceu da escuta, como fez Leão XIII. “Ouvi cientistas e engenheiros que trabalham com sincero entusiasmo em tecnologias capazes de aliviar imenso sofrimento; líderes políticos e funcionários públicos que perseveraram na procura de leis justas; pais e professores profundamente preocupados com o futuro das novas gerações”.

O Papa americano também ouviu “outras vozes, muito preocupantes”, a propósito de sistemas de armas cada vez mais autónomas, praticamente fora de o alcance humano para as governar eficazmente.

“Ouço relatos muito perturbadores de algoritmos que podem bloquear o acesso à saúde, ao emprego e à segurança com base em dados contaminados por preconceitos e injustiça. “E ouvi ainda o silêncio daqueles que não têm voz quando as decisões são tomadas — decisões que provavelmente vão gerar novas formas de exclusão e sofrimento.”

Leão XIV acrescentou que “desta escuta amadureceu uma convicção perturbadora, expressa na Magnifica Humanitas: a inteligência artificial precisa de ser desarmada”.

Leão XIV sabe que a palavra é forte, “mas foi escolhida deliberadamente porque este momento necessita de palavras capazes de atrair a atenção, despertar consciências e indicar caminhos a seguir para a humanidade”, esclareceu.

O pontífice sublinhou como a Igreja tem trabalhado há muito tempo para o desarmamento nuclear, “sabendo que todos os grandes poderes técnicos podem afetar as vidas das pessoas e, por isso, devem ser acompanhados por discernimento moral adequado e controle público”.

Neste sentido, “o desarmamento nuclear permanece um serviço para a paz e para a dignidade da família humana. Do mesmo modo, a inteligência artificial exige agora ser desarmada, libertada das lógicas que a transformam num instrumento de domínio, exclusão e morte. Tal como a energia nuclear, deve estar ao serviço de todos e do bem comum. As decisões sobre a tecnologia nunca devem ser dissociadas da consciência e da responsabilidade”.

O Santo Padre apelou à construção do bem, “tijolo a tijolo”, através de uma convivência mais justa, capaz de salvaguardar a dignidade de todos. E espera agora que os ensinamentos da sua primeira encíclica sejam vividos e aprofundados.

  • Fonte: Rádio Renascença
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