Ativista portuguesa detida na Líbia

Ativista portuguesa detida na Líbia

  • 25/05/2026 12:44
  • Redação

Uma ativista portuguesa, que integra uma caravana com destino à Faixa de Gaza, está detida em Bhengazi, na Líbia. A informação foi confirmada esta segunda-feira pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros.

“A cidadã nacional não terá sido autorizada a passar a fronteira com o Egito num dos pontos de verificação no território da Líbia, que, por motivos de segurança, só permite a passagem de cidadãos egípcios e líbios”, indica o gabinete do ministro Paulo Rangel, em comunicado.

A mulher portuguesa integra um grupo de 71 viajantes, no âmbito da iniciativa “Global Sumud Land Convoy”, uma iniciativa paralela à flotilha Global Sumud, refere o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Encontra-se detida em Bhengazi, a segunda maior cidade da Líbia, "juntamente com um grupo de cidadãos de outras nacionalidades, sob a autoridade da polícia local, alegadamente por cometimento de uma infração".

O grupo será presente a um tribunal "que deverá determinar a sua expulsão do território", indica o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

O Governo adianta que tem acompanhado "a situação da cidadã nacional e a prestar proteção consular através da Embaixada de Portugal em Tunes, em estreita coordenação com as autoridades italianas no quadro dos instrumentos de cooperação europeia em matéria consular. Envolveu também as embaixadas em Roma, em Ancara e no Cairo".

O Ministério dos Negócios Estrangeiros sublinha que as viagens para a Líbia são desaconselhadas, devido à situação de instabilidade naquele país do Norte de África.

O movimento Global Sumud Land tinha alertado que a ativista portuguesa estava incontactável desde domingo.

Em declarações à agência Lusa, Dora Lemos, uma das coordenadoras dos movimentos portugueses associados à Global Sumud Land, indicou que a cidadã portuguesa se chama Ana Margarida França Santana Baptista.

Além da ativista portuguesa, integram o grupo avançado uma outra espanhola, uma polaca, uma norte-americana, dois argentinos, um uruguaio, um tunisino e dois italianos, parte dos mais de 350 cidadãos – entre médicos, professores, engenheiros e jornalistas – de 30 países que saíram há cerca de um mês da Mauritânia.

Já na Líbia, indicou Dora Lemos, a caravana saiu de Zwaiya (a cerca de 50 quilómetros de Tripoli) com destino a Sirte (460 quilómetros a leste da capital líbia), e planeava chegar à Faixa de Gaza a 15 deste mês.

Num comunicado, a Global Sumud confirmou a retenção do grupo de 10 ativistas que iria negociar a passagem com as autoridades do leste do país, lideradas nesta zona líbia pelo marechal Khalifa Haftar e respetivas milícias, que se opõem ao governo de unidade nacional em Tripoli, reconhecido pelas Nações Unidas e liderado por Abdul Hamid Dbeibah desde março de 2021.

“Exigimos a intervenção urgente das autoridades portuguesas e líbias através de todos os meios legais, exigindo a libertação de Ana Margarida França Santana Baptista e de outros cidadãos e a garantia da proteção da sua integridade física e psicológica”, afirmou Dora Lemos, dando conta de parte do apelo enviado ao Governo português e a várias entidades internacionais.

“Estes ativistas em missão humanitária estão onde os governos da União Europeia falham ao recusarem sancionar o governo genocida de Israel e que arriscam as suas vidas para que o direito internacional humanitário seja cumprido”, acrescentou.

Entretanto, o vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, Antonio Tajani, citado pela agência noticiosa ANSA, confirmou esta segunda-feira que dois italianos integrados no grupo detidos na Líbia durante o fim de semana foram transferidos para Benghazi (1.040 quilómetros a leste de Tripoli), acrescentando esperar que regressem em breve ao país.

“Devem comparecer esta manhã perante um juiz, pelo que espero que o magistrado determine o seu regresso a Itália”, declarou Tajani aos jornalistas sobre os dois cidadãos italianos.

  • Fonte: Rádio Renascença
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