Fundador da Anthropic pede que líderes mundiais governem IA
- 25/05/2026 06:49
- Redação
O desenvolvimento da InteIigência Artificial (IA) não pode ficar exclusivamente nas mãos das empresas tecnológicas, defendeu esta segunda-feira o cofundador da Anthropic.
Chris Olah apela a uma maior supervisão na área da InteIigência Artificial por parte de líderes religiosos, governos e da sociedade civil.
O cofundador da Anthropic afirmou existir “uma possibilidade real” de a IA substituir o trabalho humano “em larga escala”.
“Se isso acontecer, apoiar as pessoas afetadas tornar-se-á um imperativo moral de proporções históricas”, declarou o empresário canadiano, sentado ao lado do Papa.
Chris Olah admite que empresas como a Anthropic enfrentam fortes pressões comerciais, geopolíticas e pessoais, que por vezes entram em conflito com os interesses mais amplos da sociedade.
“Todos os laboratórios de IA de ponta operam dentro de um conjunto de incentivos e limitações que, por vezes, podem colidir com aquilo que é correto fazer”, afirmou, acrescentando que até investigadores bem-intencionados acabam influenciados por essas forças.
Por tudo isto, o desenvolvimento da IA não pode ficar exclusivamente nas mãos das empresas tecnológicas, reforça Chris Olah.
O evento marcou uma aproximação invulgar entre o setor tecnológico e a Igreja Católica, que tem procurado afirmar-se como uma voz moral sobre as implicações do rápido avanço da inteligência artificial.
Durante a sua intervenção no Vaticano, Chris Olah saudou o envolvimento e preocupação da Igreja Católica com a inteligência artificial, sublinhando que as questões éticas colocadas pela IA vão muito além da engenharia.
Segundo o investigador, a preocupação pública em torno da inteligência artificial, sobretudo entre os mais jovens, é compreensível tendo em conta a velocidade do seu desenvolvimento.
“Penso que este é um momento assustador. As coisas estão a avançar rapidamente. É uma tecnologia extremamente poderosa”, afirmou o cofundador da Anthropic citado pela Reuters. “Existe o risco de as coisas correrem mal e cabe-nos a todos orientar isto numa direção positiva.”
Olah destacou ainda três áreas que, na sua opinião, exigem atenção urgente: o risco de perdas massivas de empregos, a necessidade de garantir que os benefícios da IA sejam distribuídos a nível global e a questão, ainda sem resposta, de como interpretar o comportamento de sistemas cada vez mais complexos e, por vezes, opacos.
“O desenvolvimento da IA está concentrado num pequeno grupo de países ricos. Como podemos garantir que os benefícios da inteligência artificial sejam partilhados globalmente?”, questionou Olah perante a audiência no Vaticano.
Chris Olah foi o único representante das grandes tecnológicas no Vaticano, na apresentação da primeira encíclica de Leão XIV.
A Anthropic é uma empresa norte-americana responsável pelas ferramentas de IA Claude. Foi fundada em 2021 por Olah e outros antigos funcionários da OpenAI, a empresa de inteligência artificial criada, entre outros, por Sam Altman e Elon Musk, responsável pelo ChatGPT.
Os fundadores da Anthropic abandonaram a OpenAI por recearem que esta estivesse a avançar demasiado depressa sem testes suficientemente rigorosos.
A Anthropic entrou também em confronto com a administração do Presidente Donald Trump, por insistir em mecanismos de controlo que limitam a utilização dos seus modelos para fins militares, como a seleção autónoma de alvos ou vigilância interna.
Leão XIV considera que enfrentamos uma transformação de magnitude semelhante à da Revolução Industrial que motivou o seu antecessor Leão XIII a escrever a ‘Rerum Novarum’.
Na sua primeira encíclica, o Papa norte-americano alerta contra o “paradigma tecnocrático”, em que a tecnologia mais poderosa não é necessariamente a melhor, e defende um código de ética para a IA.
“A IA pode imitar e simular os humanos, mas não tem consciência moral, empatia, capacidade afetiva, relacional e espiritual. É, portanto, necessário abordar a IA com sobriedade e vigilância, mantendo a clareza sobre as responsabilidades em todas as suas etapas”, defende.