“Não temos nenhum fetiche com as leis laborais”, garante Luís Montenegro
- 26/05/2026 08:07
- Redação
O primeiro- ministro, Luís Montenegro, garante não ter nenhuma fixação pela reforma laboral e insiste que o governo não quer tirar direitos a ninguém.
“As relações de trabalho são também um fator determinante para a consistência, a durabilidade e a intensidade de um projeto de desenvolvimento económico. Nós não temos nenhum fetiche com as leis laborais”, garantiu, esta terça-feira, o chefe de Governo durante a intervenção da cimeira da indústria, em Braga.
Momentos antes, à chegada ao Theatro Circo, o primeiro-ministro era esperado com um coro de duas dezenas de pessoas em protesto contra o pacote laboral. A resposta de Luís Montenegro surgiu durante o discurso para garantir que a intenção do Governo não é “nenhum tipo de revolução”, mas uma legislação laboral que “acompanhe os sinais dos tempos”.
“Eu fico manifestamente preocupado, não é por ter algumas pessoas à porta dos sítios onde vou a protestar em nome da sua central sindical, não é por isso”, sublinhou. “O que eu fico mais apreensivo é se nós não tivermos a capacidade de perceber que há algumas coisas que não podemos fazer e que se vão traduzir em benefício de todos”, apontou o primeiro-ministro dando o exemplo da criação do banco de horas.
“É apresentada por muitos protagonistas da discussão em termos públicos como se fosse um grande retrocesso”, lamentou. “Um retrocesso que passa por um empregador poder acordar com o seu trabalhador, com três dias de antecedência, ainda por cima, com duas horas de limite adicionais e dez semanais, dizer, podes trabalhar mais duas horas hoje ou esta semana e eu depois compenso-te daqui a duas semanas quando a encomenda estiver pronta?”
“Alguém acredita que isto é um retrocesso civilizacional?”, questionou o primeiro-ministro.