Túneis secretos e portas falsas: explosão em mina expõe esquema ilegal na China
- 26/05/2026 10:15
- Redação
Segundo a agência estatal Xinhua, citada pela Reuters, a mina de Liushenyu, explorada pelo grupo Shanxi Tongzhou Coal Coking Group, escondia parte significativa das suas operações das inspeções oficiais. A investigação preliminar revelou a existência de galerias subterrâneas não assinaladas, trabalhadores sem registo oficial e sistemas paralelos de vigilância e documentação.
De acordo com a televisão estatal CCTV, estavam oficialmente registados apenas 124 mineiros no subsolo no momento da explosão. No entanto, as autoridades concluíram que, na realidade, trabalhavam 247 pessoas na mina, o que significa que 123 operários estariam em áreas clandestinas sem qualquer monitorização.
A agência de notícias chinesa refere que os responsáveis da mina mantinham dois conjuntos distintos de plantas técnicas: “um destinado às inspeções oficiais e outro correspondente às operações reais.” Na China, esta prática é conhecida informalmente como “desenhos yin-yang”, numa referência à duplicidade dos registos.
As autoridades descobriram ainda que algumas entradas clandestinas eram escondidas através de portas falsas construídas com malha metálica, sacos de plástico e argamassa, pintadas para imitarem as paredes da mina. “Quando os inspetores chegavam, os trabalhadores fechavam essas portas e espalhavam pó de carvão para disfarçar qualquer vestígio”, descreveu a agência estatal chinesa.
Outro dos elementos mais graves revelados pela investigação prende-se com a ausência de dispositivos de localização obrigatórios. Muitos dos trabalhadores contratados para operar nas galerias ilegais não possuíam sensores de rastreamento nem constavam dos registos oficiais de entrada, dificultando drasticamente as operações de resgate após a explosão.
A mina estava classificada pelas autoridades como uma infraestrutura de “alto risco de gás”, devido à elevada probabilidade de explosões subterrâneas. Ainda assim, segundo a rádio estatal chinesa, os responsáveis terão evitado instalar equipamentos de monitorização de gás para escapar à fiscalização.
A tragédia reacendeu as críticas às práticas ilegais persistentes no setor mineiro chinês, apesar das sucessivas campanhas de segurança lançadas por Pequim nos últimos anos. A própria Xinhua revelou que, em 2025, a empresa já tinha sido multada por ocultar áreas de exploração, mas continuou a operar ilegalmente.
Vários responsáveis da empresa foram, entretanto, detidos, enquanto o Governo chinês promete “não deixar pedra sobre pedra” na investigação ao desastre. Após o acidente, diversas minas de carvão em várias regiões da China suspenderam ou reduziram temporariamente a produção para realizarem inspeções de segurança.