À revelia do Papa, Fraternidade São Pio X anuncia nomes dos futuros bispos
- 27/05/2026 07:44
- Redação
A Casa Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) anunciou os nomes dos quatro padres escolhidos para receber a consagração episcopal no próximo dia 1 de julho, em Econe, na Suíça.
Os sacerdotes escolhidos são: padre Pascal Schreiber, de nacionalidade suíça; padre Michael Goldade, cidadão norte-americano; padre Michel Poinsinet de Sivry, francês; e padre Marc Hanappier, também francês.
Segundo o comunicado, os processos relativos aos quatro sacerdotes foram apresentados ao Papa, acompanhados de “algumas explicações necessárias para a compreensão adequada desse processo, no contexto muito particular e excecional dessas consagrações episcopais”.
A Fraternidade São Pio X sublinha que estas consagrações “não decorrem de qualquer desejo de reivindicar poder de jurisdição, ou de estabelecer uma autoridade paralela na Igreja”.
O texto acrescenta ainda que a decisão “não constitui de forma alguma uma negação, recusa ou desafio ao poder supremo, pleno e imediato do Vigário de Cristo sobre a Igreja universal”.
A cerimónia prevista para 1 de julho terá, segundo o Generalato, o objetivo de assegurar “a administração dos sacramentos das Ordens Sagradas e da Confirmação, bem como a dos sacramentais reservados aos bispos, segundo o rito tradicional da Santa Igreja Romana e a fé de todos os tempos”.
No comunicado, a Fraternidade considera que o episcopado conferido aos quatro padres deve ser entendido “apenas como um serviço às almas e à Igreja, em meio a essa crise de fé sem precedentes”.
O texto termina com uma reafirmação da fidelidade à Igreja Católica: “Nossa vontade de servir à Santa Igreja Católica permanece inabalável, na consciência do dever imperativo de transmitir fiel e plenamente o que recebemos.”
O Vaticano reiterou recentemente que as ordenações episcopais anunciadas pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X, caso avancem, serão realizadas sem autorização do Papa e à margem da comunhão da Igreja Católica.
Numa declaração divulgada pelo Vaticano, o responsável recordava a carta apostólica Ecclesia Dei, de João Paulo II, onde se sublinha que “a adesão formal ao cisma constitui uma grave ofensa a Deus” e implica a excomunhão prevista pelo direito canónico.
Segundo o documento, a decisão da Fraternidade São Pio X traduz uma quebra da comunhão eclesial, uma vez que as ordenações episcopais previstas não têm o necessário consentimento do sucessor de Pedro.
O cardeal Víctor Manuel Fernández referia ainda que o Papa Leão XIV continua a acompanhar a situação com preocupação e oração.
“O Santo Padre continua nas suas orações a pedir ao Espírito Santo que ilumine os responsáveis da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, para que reconsiderem a gravíssima decisão que tomaram”, indicava a nota.
Fundada por Marcel Lefebvre, a Fraternidade mantém há vários anos uma relação difícil com a Santa Sé, sobretudo devido à contestação de algumas reformas e orientações saídas do Concílio Vaticano II.