OMS apela a cessar-fogo no leste do Congo para travar surto de ébola
- 27/05/2026 09:50
- Redação
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde apelou esta quarta-feira a um cessar-fogo imediato no leste da República Democrática do Congo, alertando que o conflito armado está a agravar a propagação do Ébola numa região marcada por deslocações massivas de população e campos de refugiados sobrelotados.
“O leste da RDC enfrenta agora uma colisão catastrófica entre doença e conflito, com o surto de Ébola na província de Ituri a ultrapassar a capacidade de resposta”, escreveu o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na rede social X, antes de uma deslocação prevista à região.
“Não conseguimos criar confiança junto das comunidades nem isolar os doentes enquanto caem bombas. Apelamos a todas as partes em conflito para acordarem um cessar-fogo imediato para conter este surto”, acrescentou.
Segundo dados das autoridades sanitárias, foram já registados mais de 900 casos suspeitos e mais de 200 mortes suspeitas em três províncias do leste congolês, incluindo o Kivu do Norte, controlado pelos rebeldes do M23 apoiados pelo Rwanda, e o Kivu do Sul, onde atua o grupo rebelde Alliance Fleuve Congo.
A organização humanitária Save the Children alertou também que um quarto das mortes confirmadas corresponde a crianças, defendendo o reforço urgente das medidas de prevenção de infeções.
Os combates continuam no leste da RDC apesar dos esforços de mediação liderados pelos Estados Unidos e outros países, enquanto milhões de pessoas permanecem deslocadas. A agência da ONU para os refugiados indicou ainda que os centros de trânsito e acolhimento na região ugandesa de West Nile, junto à fronteira congolesa, estão a funcionar com mais do dobro da capacidade.
Organizações humanitárias estão a enviar equipas e equipamentos para a região, mas denunciam que os ataques contra profissionais de saúde, alimentados pela desconfiança das populações, têm dificultado a resposta ao surto.
De acordo com responsáveis de saúde, os doadores internacionais prometeram cerca de 500 milhões de dólares para combater a epidemia, embora nem todos os fundos tenham ainda sido disponibilizados.