The Trio. O amor como tragédia com August Wittgenstein e Nina Zanjani
- 27/05/2026 13:36
- Redação
Na trama, conta-se a história de três personagens que oscilam entre o passado e o presente. O trio, composto por Hugo, Thora e August, viveu um verão jovem e apaixonado na Europa, entre viagens a Paris e festas em Estocolmo. Vinte anos depois, ficamos a saber o que aconteceu às personagens quando a filha de um deles surge em Nova Iorque, pronta a conhecer melhor um passado que deixou alguns dissabores e muitos arrependimentos.
"O Hugo está sempre dividido entre muitas coisas... tem muitos demónios interiores e muita ambivalência. Muita coisa está a acontecer dentro dele", começa por explicar August, que encarou tudo isso como um teste às suas habilidades como ator.
"Ter de interiorizar tudo o que está a acontecer é como um vulcão que não chega a entrar em erupção", explica. "Todos estes sentimentos... não se consegue contê-los. É uma história de amor bonita e é sempre divertido explorar sentimentos intensos", admite.
Igual opinião tem Nina Zanjani, a versão adulta de Thora. Assumindo-se como "uma grande romântica", Zanjani defende que, mesmo assim, "o amor tem sempre um véu de tristeza" que, por vezes, é "impossível de racionalizar".
"Acho que é isso que torna a interpretação tão emocionante", garante a atriz, que nunca tinha interpretado a "versão mais velha de outra pessoa".
Para o conseguirem, ambos trabalharam com as versões mais jovens das suas personagens, interpretadas por atores mais novos. Outro desafio.
"A primeira vez que os conhecemos só ficamos a olhar uns para os outros", brinca Nina. "Foi estranho, porque ela tem muitas tatuagens e eu não", acrescenta a atriz, que mesmo assim encontrou semelhanças em muitos detalhes de Rebecka Harper, que interpreta a mesma personagem, mas mais jovem.
"Todos os dias tinha de caracterizar os braços com tatuagens similares e era surreal olhar para os meus braços e pensar: este braço não é meu, é de alguém. Isso ajudou imenso no processo", admite Nina.
A construção das personagens foi, de resto, feita de detalhes e nuances, garantiram ambos ao Watch Party (que já teve oportunidade de espreitar a série completa). Não poderia ser de outra forma numa série que fala de (des)amor, mas também de independência, e que vive da evolução das personagens ao longo de 20 anos. O que será que aprenderam?
"Essa é uma pergunta interessante. A primeira frase que me vem à cabeça é... a vida é uma tragédia. Desculpem-me, mas sou mesmo de grandes amores e sei que a vida é um presente. Tudo isso é incrível, mas também é trágico", reforça Nina. Já August acredita que Hugo terá para nos ensinar que "a indecisão é algo que nos consome o tempo de vida que temos": "Perdemos muitas oportunidades enquanto ficamos a ponderar se devíamos fazer algo ou não."
E para ajudar os indecisos portugueses que ainda não estejam convencidos, deixam um conselho: quem vive na terra do fado vai certamente perceber a série, apesar de esta ser universal.
"Não importa realmente onde vives, porque todas as pessoas sentem amor e tristeza. E esta é uma história incrível, mas também trágica... Depende de como a vês. Acho que o amor atrai toda a gente. Todo o ser humano já sentiu amor em algum momento. Portanto, português ou não: isto é sobre amor e precisamos todos dele", defende Nina.
"Vocês vivem no país do fado. Se gostam de fado, então vão adorar esta série, certamente", remata August.