Seguro critica cultura de improviso que “tem um custo que raramente contabilizamos”

Seguro critica cultura de improviso que “tem um custo que raramente contabilizamos”

  • 27/05/2026 16:45
  • Redação

Na intervenção que assinalou os 10 anos do jornal ECO, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, o chefe de Estado alertou que o improviso “não constrói futuros” e “só reduz o caos e atenua a perda”.

Seguro não se referiu diretamente ao relatório que produziu após a Presidência Aberta na região centro, mas ficou implícita a mesma mensagem. “Os futuros constroem-se com método, com planeamento, com instituições que funcionam de forma consistente, independentemente de quem está na liderança”.

Seguro lamenta ainda a “cultura de desorganização e de desarticulação que nenhum improviso compensa”, pelo contrário, “tem um custo que raramente contabilizamos”. O Presidente da República elenca esses custos: “Projetos que não acontecem, investimentos que não chegam, talentos que partem porque não encontram aqui a previsibilidade de que precisam para construir”.

Ao mesmo tempo, Seguro critica o que considera ser a cultura do passa culpas e da desresponsabilização. “Quando algo corre mal, a primeira pergunta é sempre: quem tem a culpa? A resposta chega imediatamente. Os outros. O Governo. A oposição. A Europa. O mercado. A história”.

Seguro classifica este padrão como “um desperdício monumental de energia”. Em alternativa, defende uma lógica centrada na resolução de problemas: “Procuramos a causa, desenhamos a solução, avançamos”.

“Nas nossas vidas pessoais não agimos assim. Quando algo corre mal, não passamos anos a estabelecer responsabilidades. Procuramos a causa. Desenhamos a solução. Avançamos. Na vida coletiva fazemos o oposto. E depois admiramo-nos que as coisas não mudem”, disse ainda Seguro.

A comunicação social foi, assim, outro dos pontos do discurso no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. O Presidente alertou para os desafios colocados pelas redes sociais e pela Inteligência Artificial, lembrando que “a comunicação social é um pilar das democracias”. E deixou um aviso: “Sem jornalismo livre não há escrutínio do poder, não há debate de qualidade”.

Num contexto de transformação acelerada do setor, Seguro defendeu um reforço da exigência da comunicação social. “O jornalismo que sobreviver a esta transformação terá de ser mais humano, não menos. Mais lento quando a velocidade distorce, mais contextualizado quando a fragmentação desorienta”, afirmou. E acrescentou: “Hoje o jornalismo não compete só com o jornalismo. Compete com tudo. A resposta não pode ser baixar o padrão. Tem de ser elevar a ambição”.

Dirigindo-se diretamente aos profissionais do setor, deixou ainda um alerta sobre o modelo mediático. “O modelo de cobertura que privilegia o conflito sobre o conteúdo amplifica exatamente a dinâmica que nos paralisa”, disse Seguro, reforçando: “O jornalismo pode ser parte do problema”.

A terminar, o Presidente voltou ao ponto de partida — a necessidade de mudança estrutural — e deixou um apelo à ação coletiva: “O país que queremos não nos vai acontecer. Temos de o fazer acontecer”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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