IA: "O trabalho não é uma coisa obsoleta para o ser humano, é uma forma de dignidade"
- 27/05/2026 18:19
- Redação
A Universidade Católica, em Lisboa, está a acolher um encontro que discute formas de transformar a Europa num só campus universitário, como espaço de inovação tecnológica e partilha de conhecimento.
O objetivo deste encontro, que se realiza no âmbito do denominado “Transform4Europe Week Lisbon 2026”, é fortalecer o conceito de uma universidade europeia sem muros, especialmente numa altura em que a Europa atravessa diversos desafios, sendo a Inteligência Artificial (IA), um deles.
A reitora da Universidade Católica Portuguesa, Isabel Capeloa Gil, lembrou o Papa Leão XIV quando falou do desenvolvimento tecnológico ao serviço de interesses económicos estratégicos.
Para a reitora da instituição, devem ser reconhecidos os benefícios das novas tecnologias, desde que não coloquem em causa questões de ética.
Este fórum de discussão contou também com a presença da reitora da Universidade de Mariupol (Ucrânia), Tetiana Marena, uma outra instituição parceira.
A responsável trouxe um exemplo de como as universidades podem transformar-se e antecipar o que seria o risco de uma aniquilação, especificado que, face à invasão russa da Ucrânia, houve necessidade de deslocar da cidade de Mariupol para a capital, Kiev, todos os arquivos, documentos digitais, para além da comunidade académica.
"Estamos a trabalhar com condições muito difíceis, mas tentamos mostrar que hoje a Universidade não é apenas uma instituição de ensino, é mais do que isso. É um centro multifuncional para atividades de voluntariado, um centro para preservar a nossa academia, os nossos estudantes, a nossa identidade cultural da região e do país, o nosso património histórico e providenciamos diversos serviços para deslocados internos, para a comunidade de Mariupol e para os nossos veteranos", declara. Tetiana Marena acrescenta que a Universidade também presta apoio psicológico aos estudantes que perderam familiares na guerra.
“É uma oportunidade para inspirar, para tentar semear a semente da inclusão. Mostrar que, na vida, podemos atingir o sucesso de várias formas e levar os outros connosco, também. Pretendemos passar uma mensagem positiva, de trabalho de equipa, de resiliência, de superação de obstáculos, com um exemplo de união”, sublinha.
Até dia 29, a Universidade Católica Portuguesa reúne cerca de 500 participantes, de 36 nacionalidades e 16 universidades europeias, visando a construção de campus universitários internacionais, facilitar a mobilidade e estimular a oferta de programas formativos conjuntos e interdisciplinares.