Custos com habitação empurram mais 376 mil pessoas para a pobreza
- 28/05/2026 01:00
- Redação
A Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) apresenta um documento temático que “demonstra que o mercado imobiliário anula o impacto dos salários e dos apoios públicos”.
A instituição garante que “sem a sobrecarga financeira da casa, haveria menos 376 mil pessoas a viver abaixo do limiar da pobreza no país”.
A EAPN Portugal garante que “os custos com a habitação tornaram-se um dos principais motores de exclusão em Portugal”, anulando “o impacto protetor dos salários”.
Estes dados estão refletidos no novo documento temático "Habitação e Pobreza", que a EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza apresenta esta quinta-feira, em Santarém, no seminário que marca o encerramento do Congresso Nacional “Diálogos sobre a Pobreza”, e que decorre na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico local,.
A EAPN Portugal sublinha, por outro lado, que o documento destaca também “o desalinhamento histórico entre a evolução dos preços imobiliários, que registaram um aumento de 17,6% no último ano, e os rendimentos reais das famílias portuguesas”.
O presidente da Associação Nacional de Municípios, Pedro Pimpão, e a arquiteta Helena Roseta são dois dos convidados para analisar este impacto financeiro real e apontar caminhos para reformas urgentes nas políticas públicas urbanas.
Para a coordenadora da EAPN Portugal, Maria José Vicente, “o acesso a uma habitação digna e acessível não pode continuar a ser visto como um bem de consumo, pelo que é urgente tratá-lo como um direito humano fundamental e a base indispensável para qualquer estratégia de inclusão social que queira quebrar ciclos de exclusão”.
A socióloga diz que “o importante é pagar a renda, pagar a casa ao banco, e depois tudo o resto, como a alimentação, a medicação acaba por ir para segundo plano”. “Aumentando consideravelmente os preços da habitação, as pessoas também ficam muito mais sujeitas a situações de pobreza”, reforça.
Paula Cruz lembra que a EAPN Portugal tem vindo a defender a “aposta na habitação publica”, porque o nosso país tem “ainda um investimento muito insuficiente nesta área”. “Quando falamos em 2 por cento, sabemos que é muito pouco. E quando vemos à nossa volta listas de espera imensas para conseguir ter uma habitação, e dificuldades em pagar rendas, nós percebemos que tem que haver um investimento sério a este nível”.