Alexandre Poço: "Não vejo o primeiro-ministro como destinatário" das críticas de Passos

  • 28/05/2026 02:00
  • Redação

As críticas de Pedro Passos Coelho sobre os rumos da governação do país têm sido constantes nos últimos meses, mas as mais recentes não são interpretadas por Alexandre Poço, deputado e vice-presidente do PSD, como tendo o Governo ou Luís Montenegro como alvo.

Não faço essa extrapolação imediata. Somos defensores da estabilidade e penso que temos contribuído para essa estabilidade. O país não mudou tudo, não resolveu tudo nos últimos dois anos, mas mudou de direção. Como é óbvio, estranho seria se o presidente do PSD, atual primeiro-ministro, recandidato à função, não tivesse uma ambição que é matriz do PSD: a vocação maioritária. O PSD não nasceu para ser um partido de nicho, de causas, de interesse corporativo ou setorial. Temos uma ambição maioritária e, portanto, essa ambição que Luís Montenegro coloca, assinalo-a como positiva. Por outro lado, tudo faremos para que o país tenha estabilidade.

Se o pacote laboral não for aprovado, é condição para alegar que não conseguiram cumprir o programa e levar o país de novo a eleições?

Se a reforma laboral for chumbada, em primeira análise, cabe aos portugueses avaliar, mas não necessariamente através de um ato eleitoral. Ou seja, avaliar como se avalia quando uma lei é chumbada no Parlamento. Os portugueses não são pessoas que só ligam à política quando há eleições. Acredito que, quando existir um ato eleitoral, os portugueses olharão para aquilo que o Governo fez e para o que as oposições fizeram. É motivo para uma dissolução? Uma dissolução nem depende do Parlamento…

Não quero estar a especular, mas é claro que o país não morre, não fecha, não acaba sem esta reforma laboral, mas perde uma grande oportunidade. E nós não queremos que o país perca uma grande oportunidade. Para manter tudo como está, mais valia o PSD ir para a oposição, para isso conheço bem quem na política portuguesa seja muito mais competente do que nós.

Não ligo o chumbo da reforma laboral a eleições antecipadas, não faço essa ligação de todo, mas acredito que os portugueses estarão atentos àquilo que o Governo tem de iniciativa e a forma como as iniciativas do Governo são encaradas pelos partidos da oposição.

Tenho muito respeito por Pedro Passos Coelho, cresci politicamente com Pedro Passos Coelho como presidente do PSD e como primeiro-ministro. É uma personalidade que ouvimos, que respeitamos, que consideramos. Aquilo que disse na terça-feira, honestamente não vejo como críticas à ação do Governo.

Não quero fazer essa análise, há mais especialistas em análise e comentariado do que eu.

Mas quando ele fala num político que se faz passar por populista, não está a ver Montenegro e Ventura?

Sinceramente, não vejo o primeiro-ministro, nem o atual Governo, como destinatário. Não quero dar muito mais destaque do que este comentário.

Dois dias antes das diretas, não há aqui um sinal de que está a espicaçar ainda mais o Governo e o próprio partido?

Nem me tinha lembrado de fazer essa correlação temporal, nem tenho esse dom de conseguir em cada ato, movimento, de todos os protagonistas políticos, ir buscar logo uma intenção imediata, seja ela explícita, implícita, tácita, oculta, o que for.

Honestamente, não sei, nem faço esse tipo de análise. Estamos focados e a trabalhar para dar futuro ao país, essa é a missão que temos no PSD e que os portugueses nos confiaram. Especulações sobre a futura liderança do PSD, não faço a mínima ideia.

  • Fonte: Rádio Renascença
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