Economia portuguesa cresce menos em 2026 apesar da recuperação do comércio e construção

Economia portuguesa cresce menos em 2026 apesar da recuperação do comércio e construção

  • 28/05/2026 05:39
  • Redação

A economia portuguesa deverá crescer menos do que o previsto em 2026. O Barómetro de Conjuntura Económica CIP/ISEG reviu em baixa a previsão de crescimento do PIB, passando de 1,8% para 1,5%, num contexto marcado pela subida dos preços da energia, pela deterioração da confiança dos consumidores e pela expectativa de aumento das taxas de juro.

Apesar do cenário económico mais adverso, os setores da construção e do comércio a retalho deram sinais positivos em abril, com melhorias nos indicadores de confiança.

O diretor-geral da CIP, Rafael Alves Rocha, citado em comunicado, considera que Portugal está a acompanhar a desaceleração económica observada no resto da Europa.

“Para a totalidade do ano de 2026, é natural que as perspetivas para o crescimento da economia portuguesa acompanhem a tendência de revisão em baixa observada na generalidade das economias europeias”, afirma.

O responsável aponta como principais fatores de risco a persistência dos preços elevados da energia e das matérias-primas. “Mantém-se o risco de uma repercussão mais permanente e generalizada do choque negativo na oferta dos bens energéticos”, alerta Rafael Alves Rocha, sublinhando que isso terá “reflexos inevitáveis sobre as perspetivas de crescimento para 2026”.

A CIP manifesta ainda preocupação com a possibilidade de subida das taxas diretoras do Banco Central Europeu já em junho. “Há a expectativa de uma subida, já em junho, das taxas de juro diretoras do Banco Central Europeu”, refere o diretor-geral da CIP, defendendo que “a verificar-se este aumento das taxas de juro, ele agravará ainda mais o impacto negativo do choque energético na economia”.

Ainda assim, o Barómetro destaca alguns fatores que poderão ajudar a sustentar a atividade económica, sobretudo através da reta final de execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Segundo o documento, o programa “será um contributo central para sustentar o crescimento da economia nacional”, caso mantenha o ritmo de execução previsto pelo Governo até ao final do ano.

Entre os indicadores positivos registados em abril, o relatório destaca “a evolução muito positiva do consumo de cimento e do comércio de automóveis”.

Já do lado negativo, a confiança dos consumidores caiu pelo terceiro mês consecutivo, atingindo “o valor mais baixo desde novembro de 2023”. Também a indústria transformadora e o setor dos serviços registaram uma degradação das perspetivas empresariais.

  • Fonte: Rádio Renascença
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