Sabia que as tartarugas juvenis mergulham mais fundo à medida que crescem?

Sabia que as tartarugas juvenis mergulham mais fundo à medida que crescem?

  • 28/05/2026 07:26
  • Redação

As tartarugas marinhas juvenis mergulham mais fundo, durante mais tempo e de forma mais estruturada à medida que crescem. A conclusão resulta de um estudo científico internacional com participação do Zoomarine Algarve, que analisou uma das fases menos conhecidas da vida destes animais: os primeiros anos em oceano aberto.

A investigação, integrada na Lost Years Initiative, promovida pela Upwell, utilizou transmissores de satélite miniaturizados para acompanhar 71 tartarugas juvenis em diferentes regiões oceânicas, permitindo recolher mais de 2.400 registos diários de mergulho.

Os dados revelaram padrões inéditos de comportamento subaquático, mostrando que, com o crescimento, as tartarugas desenvolvem mergulhos mais profundos, prolongados e organizados. Segundo os investigadores, esta informação poderá ser determinante para futuras estratégias de conservação marinha.

“Projetos como este demonstram que a conservação marinha depende cada vez mais da colaboração entre instituições, ciência e tecnologia. Ao compreendermos melhor o que acontece nos primeiros anos de vida das tartarugas marinhas, conseguimos antecipar riscos, apoiar decisões mais informadas e contribuir para estratégias de proteção mais eficazes”, afirmou João Neves, diretor de Conservação do Zoomarine Algarve, citado em comunicado.

O responsável sublinhou ainda que a participação no estudo representa “uma extensão natural do trabalho” desenvolvido pelo Zoomarine através do Porto d’Abrigo – Centro de Reabilitação de Espécies Marinhas, criado em 2002.

Também George Shillinger, diretor executivo da Upwell, destacou a importância das descobertas científicas alcançadas através desta colaboração internacional.

“É com grande entusiasmo que vemos esta colaboração científica global única gerar resultados que ajudam a lançar luz sobre uma fase enigmática e vulnerável do ciclo de vida das tartarugas marinhas”, afirmou.

“O nosso objetivo é que estas descobertas possam ser aplicadas em medidas de gestão e conservação que contribuam para proteger as tartarugas marinhas ao longo de todo o seu ciclo de vida”, acrescentou.

Segundo os investigadores, o conhecimento agora obtido poderá ajudar a prever os movimentos das tartarugas juvenis em oceano aberto e identificar áreas de risco relacionadas com a atividade humana, nomeadamente zonas de pesca intensiva.

A informação recolhida sobre profundidade e duração dos mergulhos poderá ainda contribuir para a adaptação de determinadas artes de pesca e para a criação de áreas marinhas protegidas mais ajustadas à utilização real do habitat por estas espécies.

O estudo resulta de uma colaboração científica entre 17 instituições de sete países, envolvendo universidades, centros de investigação, aquários e organizações dedicadas à proteção dos oceanos.

A participação neste projeto reforça o papel do Zoomarine Algarve nas redes internacionais de investigação e conservação marinha, dando continuidade ao trabalho desenvolvido na reabilitação da fauna marinha, sensibilização ambiental e proteção de espécies ameaçadas.

  • Fonte: Rádio Renascença
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