Incêndio em escola no Quénia mata 16 estudantes e faz dezenas de feridos
- 28/05/2026 10:08
- Redação
Um incêndio num dormitório de uma escola secundária feminina no Quénia provocou a morte de pelo menos 16 estudantes e deixou outras 79 feridas, anunciaram esta quinta-feira as autoridades quenianas.
De acordo com a Reuters, o fogo deflagrou pouco depois da meia-noite na Utumishi Girls' Academy Senior School, localizada em Gilgil, no oeste-central do país, na região do Vale do Rift. As chamas consumiram o edifício durante mais de duas horas.
O ministro da Educação do Quénia, Julius Migos, explicou que muitas das vítimas tinham entre 15 e 18 anos e confirmou que a maioria das estudantes feridas já teve alta hospitalar.
“As investigações estão em curso, mas a causa do incêndio ainda não foi identificada”, afirmou Julius Migos aos jornalistas.
Também o ministro do Interior, Kipchumba Murkomen, pediu prudência enquanto decorrem as averiguações, apelando para que “não haja especulação” sobre a origem do fogo.
Apesar disso, vários sobreviventes relataram às equipas de socorro que uma estudante terá ateado fogo a um colchão utilizando um fósforo, revelou um dos primeiros operacionais presentes no local, sob condição de anonimato por não estar autorizado a prestar declarações públicas. O alegado motivo permanece desconhecido.
Segundo o mesmo responsável, as portas do segundo piso, onde o incêndio terá começado, encontravam-se inicialmente trancadas, o que dificultou a fuga. Algumas jovens morreram ao tentar escapar pelas janelas e varandas do edifício.
No exterior da escola, centenas de familiares concentraram-se à procura de informações sobre as estudantes. Algumas das jovens feridas foram vistas a sair apoiadas por agentes policiais, enquanto outras apresentavam ligaduras e dificuldades em caminhar.
À televisão local Asulab TV, a residente Wambui Nderitu contou que correu para a escola por volta das quatro da manhã para procurar a filha da sua tia.
“Felizmente encontrei a criança, mas estava ligeiramente ferida. Ela disse-me que estava num dormitório no piso inferior, o que lhe permitiu escapar”, relatou. “Muitas das que estavam no andar de cima saltaram da varanda.”
Outra moradora, Leah Wanjiru, descreveu o momento em que percebeu a dimensão da tragédia.
“Ouvi crianças a gritar e fui ver o que se passava. A escola estava em chamas”, disse. “Começámos a transportar água para tentar apagar o fogo e salvar pessoas.”
Os incêndios em escolas são frequentes no Quénia. De acordo com a agência Reuters, dados do Governo queniano indicam que mais de 100 fogos em estabelecimentos de ensino foram registados em 2024. Estudos citados pela Reuters apontam que muitos destes incidentes estão ligados a protestos de estudantes contra disciplina considerada severa e más condições nas escolas.
Também segundo a Reuters, no ano passado um incêndio numa escola primária com internato no condado vizinho de Nyeri matou 21 estudantes, sem que as autoridades tenham conseguido determinar de forma conclusiva a origem do fogo.
A Reuters recorda ainda que um dos piores desastres escolares do país ocorreu em 2001, quando 67 rapazes morreram num incêndio na Kyanguli Secondary School, nos arredores de Nairobi, num caso que as autoridades atribuíram a fogo posto.