Museu Guggenheim de Bilbao mostra obra do artista americano Jasper Johns

Museu Guggenheim de Bilbao mostra obra do artista americano Jasper Johns

  • 28/05/2026 11:13
  • Redação

Jasper Johns tem hoje 96 anos. Desde 2020 que já não pinta. Vive afastado dos grandes centros urbanos, numa quinta que um dia, depois da sua morte, quer ver transformada em residência artística.

Mas a sua longa vida artística é essencial para perceber a História de Arte. O criador norte-americano é considerado uma figura essencial da origem de movimentos como a Pop Art, o Minimalismo e a Arte Conceptual.

No Museu Guggenheim, de Bilbao, no País Basco, em Espanha abre esta sexta-feira ao público uma retrospetiva de 70 anos da obra de Jasper Johns. A exposição “Jasper Johns: Night Driver” vai buscar o título a um dos desenhos do artista de 1960.

Ao todo são mostradas ao público cerca de 140 obras que vão da pintura, à escultura, passando pelo desenho e pela cenografia. A exposição abre com uma sala que se pode dizer que tem um apanhado do essencial da obra de Jasper Johns.

Na visita, o curador Enrique Juncosa explica que Johns “é um artista que é considerado o precursor da Arte Conceptual, do Minimalismo e da Art Pop, mas a sua obra varia bastante. Não tem um estilo único”.

Exemplo disso é revelado na primeira sala em que o visitante entra. É dada a conhecer a linguagem gramatical com que Johns trabalha.

“São os temas das bandeiras, dos alvos, dos números, dos mapas e das letras”, indica o curador. Na exposição organizada de forma cronológica, percebe-se como estes temas se vão repetindo ao longo dos anos nas suas obras.

“Ele dizia que eram coisas que, como as pessoas percebiam logo o que eram, não precisavam de se preocupar com o que estavam a ver, mas sim com o que o artista queria que vissem”, explica o Enrique Juncosa.

O curador que conhece pessoalmente o artista, diz que foi essencial a sua proximidade para a realização da exposição, já que uma parte do espólio de Jasper Johns, que pertence ainda ao artista, está em depósito em vários museus.

Nascido em Augusta, na Georgia em 1930, Jasper Johns cresceu na Carolina do Sul, onde estudou, bem como em Nova Iorque. É na cidade que nunca dorme, para onde se muda em 1953, que conhece outras figuras artísticas que o influenciaram e com quem veio a trabalhar e a manter uma relação de amizade.

Exemplo disso são o bailarino e coreógrafo Merce Cunningham para quem chega a criar cenografia para os seus espetáculos, que pode ser vista nas salas do Guggenheim, bem como o músico John Cage.

Outra das personagens essenciais na vida de Jasper Johns é o artista Robert Rauschenberg com quem terá tido uma relação e que marcou alguns dos seus trabalhos mais “emocionais” que podem ser vistos na exposição, onde, ao contrário dos outros em que explora as cores primárias do azul, vermelho e amarelo, usa tons cinzentos.

“As obras vão mudando muito ao longo do tempo”, refere o curador que, no entanto, ressalva que “ele repete muitos motivos e temas, que volta a misturar, a reconfigurar, a alterar de cor ou a recortar”.

Esta é uma obra que diz Juncosa “é muito sobre a perceção e a representação”. “É um trabalho muito diferente do que havia nos Estados Unidos quando ele surgiu, que era o Expressionismo Abstrato, a pintura gestual sobre a identidade das pessoas, sobre os seus processos de pensamento. E ele é um artista muito frio que se interessava muito por [Marcel] Duchamp e [René] Magritte. Ele era muito amigo do Duchamp e coleciona obras de Magritte”, aponta.

A bandeira americana é outro dos símbolos que Jasper Johns explora na sua obra. Na década de 1950, o artista destruiu a sua obra e começou então a pintar a sua primeira bandeira americana, dando assim início a uma série de obras icónicas.

Na exposição que fez em 1958, o MoMA, o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque adquiriu três obras. É nessa altura em que Jasper Johns dá início a uma série de trabalhos em que entra em diálogo artísticos com diversos outros criadores, como Duchamp, mas também Frida Kahlo, Edvard Munch ou Picasso, como é possível ver nos quadros em exposição em Bilbao.

Em “Jasper Johns: Night Driver”, o visitante vai também ver, numa segunda etapa da exposição o trabalho em papel, dos desenhos, às gravuras, passando pelos livros de artistas.

Enrique Juncosa, explica que, ao contrário de outros artistas, Jasper Johns trabalha o desenho depois da pintura. “Não são desenhos preparatórios”, refere. Segundo Juncosa, isso permitia a Johns “alterar” o que tinha pintado, mas em versão de desenho.

É nesta parte da exposição que está o livro de artista que Johns fez com o Nobel da Literatura, Samuel Beckett. “Foirades/Fizzles” é uma obra de 1976 que inclui cinco textos do autor irlandês e cerca de 30 gravuras do artista plástico.

É uma raridade, refere Enrique Juncosa. Há apenas 300 exemplares e um deles, está no Guggenheim de Bilbao. “É um livro muito famoso na história dos livros de artistas. As imagens e os textos são independentes, nenhum ilustra o outro”, sublinha o curador que a rir diz que o livro “deve valer 50 mil euros”.

De fora desta exposição ficaram algumas obras que o curador ainda tentou expor em Bilbao, nomeadamente peças que pertencem a um dos colecionadores de Jasper Johns. “Tem 104 anos”, disse Juncosa que lamenta, mas entende porque o apreciador da obra do artistas americano, não quis deixar de ter perto de si os quadros.

A exposição que tem o apoio da Fundação BBVA, patrocinador estratégico do Museu Guggenheim Bilbao estará patente até 12 de outubro de terça-feira a domingo das 10 horas às 19 horas. De 15 de junho a 7 de setembro, o museu abre também às segundas-feiras. Durante esse período o horário de encerramento é alargo às 20 horas.

  • Fonte: Rádio Renascença
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