Villas-Boas. Proposta de Nacional sobre centralização “pode implodir o futebol português”

Villas-Boas. Proposta de Nacional sobre centralização “pode implodir o futebol português”

  • 28/05/2026 08:44
  • Redação

O presidente do FC Porto, André Villas-Boas, deixa duras críticas a Nacional e Marítimo a propósito do dossier da centralização dos direitos televisivos.

Presente na quarta Conferência Bola Branca, Villas-Boas deixa o alerta: “Centralização está cada vez mais ameaçada pelo Nacional da Madeira e o Marítimo, com uma ideia que me parece que pode implodir o futebol português”.

O líder portista recorda: “Trabalhamos dois anos numa chave de repartição, e bem, em sede da direção da Liga Centralização. O FC Porto não foi apoiante da candidatura de Reinaldo Teixeira e ainda no outro dia lhe escrevi dando-lhe os parabéns pelo grande trabalho quando cumpriu um ano de mandato, sobretudo no campo da centralização. Tínhamos feito grandes progressos que agora parecem ser colocados em causa por uma ideia estapafúrdia”.

Villas-Boas reforça: “80% ou 90% da demografia de adeptos do futebol nacional está concentrada nos três grandes, que são em realidade o grande motor económico do futebol português, sem desrespeito pelos demais clubes e sociedades desportivas. Se é 80 ou 90% podem discordar, mas até 80% será seguramente. Isso significa que os grandes portugueses são os dinamizadores do futebol português e merecem respeito. Já em alinhamento Porto-Sporting concedemos a perder dinheiro com a centralização, para que haja mais dinheiro e direitos audiovisuais para os outros clubes. Agora, não podemos perder tudo de uma vez, porque temos de continuar a conquistar o nosso lugar no ranking europeu, temos de continuar a competir, temos esta demografia associativa muito específica e, com todo o respeito, o Nacional, mesmo com os jogos dos três grandes, tem o estádio ocupado em 50% dos jogos, o que se traduz numa média de 2.500 pessoas a ver por jogo”.

“Há um primeiro ciclo que é justo com todos, evidentemente mais com uns do que com outros, sendo que os três grandes já perdem dinheiro, há aqui clubes que saem altamente valorizados desta nova chave de repartição, nomeadamente o Braga, o Vitória e o Famalicão. Tudo o resto também. Mas é preciso um pouco de noção e consciência. O FC Porto colaborará enquanto esta chave de repartição para a qual trabalhámos dois anos for aprovada. Se for aprovada qualquer outra, o FC Porto atuará judicialmente contra ela”, insiste.

De recordar que o Nacional propõe 50% das verbas distribuídos em quotas iguais por todos os clubes, contra os 32,5% propostos pela Liga.

Na proposta dos madeirenses, 25% será para o mérito desportivo, calculados com base na classificação, em que 70% referem-se à época atual e 30% à média ponderada das quatro temporadas anteriores. 15% são para as audiências, baseadas no número de jogos transmitidos e nas audiências auditadas, e 10% para a implantação social e formação, que engloba critérios como o número de sócios, bilhetes de época vendidos, jogadores formados localmente e jogadores cedidos às seleções nacionais.

A proposta do Nacional também generaliza a distribuição das receitas dos direitos internacionais, que será dividida em partes iguais por todos os clubes da Liga, sem qualquer diferenciação por mérito.

Intitulada “A Excelência no Futebol", a Conferência Bola Branca centra-se nos caminhos para a excelência no futebol português e mundial e faz a transição entre o fim das ligas profissionais, a conclusão das principais competições europeias de futebol e o arranque da preparação final do Campeonato do Mundo.

  • Fonte: Rádio Renascença
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