OMS alerta: há mais de 900 casos suspeitos de ébola e 223 mortes sob investigação

OMS alerta: há mais de 900 casos suspeitos de ébola e 223 mortes sob investigação

  • 29/05/2026 08:09
  • Redação

A Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou esta sexta-feira que estão a ser investigados 906 casos suspeitos de Ébola na República Democrática do Congo (RDC), incluindo 223 mortes suspeitas, no âmbito do surto da variante Bundibugyo, uma estirpe rara para a qual não existe vacina aprovada.

Segundo a OMS, foram já confirmados 125 casos de Ébola na RDC, dos quais resultaram 17 mortes, registadas nas províncias de Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul. No Uganda foram confirmados sete casos, três dos quais importados da RDC, tendo sido registada uma morte.

A agência das Nações Unidas sublinha, contudo, que não foram detetados casos de transmissão comunitária em território ugandês.

Anais Legand, da Equipa de Patógenos de Alto Risco do Programa de Emergências de Saúde da OMS, alertou para a elevada letalidade da doença.

“É enorme. Isso significa que até cinco em cada dez pessoas provavelmente morrerão”, afirmou, em declarações citadas pela agência Reuters.

De acordo com a especialista, a taxa de mortalidade entre os casos confirmados situa-se atualmente entre 30% e 50%, embora os dados continuem a ser analisados e possam sofrer alterações à medida que as investigações avançam.

Legand destacou ainda que o acesso precoce aos cuidados de saúde pode reduzir significativamente o risco de morte, apelando à rápida identificação dos sintomas e ao encaminhamento imediato dos doentes.

Apesar da gravidade da situação, a OMS anunciou que o primeiro doente recuperado da atual vaga do surto já recebeu alta hospitalar na RDC, depois de apresentar dois testes negativos consecutivos.

“Esperamos que muitas outras pessoas recuperem”, afirmou Anais Legand, reforçando a importância do diagnóstico precoce e do tratamento atempado.

A OMS está a reforçar a capacidade de testagem no terreno e espera reduzir rapidamente o atraso na análise das amostras recolhidas.

Segundo a organização, é provável que o número de casos suspeitos continue a aumentar nos próximos dias, mas isso poderá refletir uma melhoria dos sistemas de vigilância epidemiológica.

O surto no leste da RDC terá começado há aproximadamente dois meses, mas só foi identificado posteriormente pelas autoridades sanitárias. A OMS declarou a situação como uma Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional, devido ao risco de propagação e às dificuldades no rastreio dos contactos.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: