Marionetas. Alma D'Arame celebra 20 anos em Montemor-o-Novo
- 29/05/2026 10:24
- Redação
Montemor-o-Novo é, por estes dias, o palco do Encontro Internacional de Marionetas mas, este ano, também está a celebrar, em paralelo, os 20 anos da companhia Alma D'Arame.
"O público pode entrar em espetáculos muito imersivos onde o sonho, ou a realidade, às vezes nos confrontam”, acrescenta o diretor da Alma D'Arame, que vive "um ano especial" também porque está num "espaço novo", com um auditório com "maior capacidade" e um "palco maior" capaz de acolher "muito melhor o público".
“Também acolhemos espetáculos de maior dimensão e isso é muito relevante para nós também”, acrescentou o diretor artístico, sublinhando a aposta em trazer cada vez mais companhias internacionais, seguindo a ideia que orientou o trabalho ao longo de duas décadas, “o ideal de serem "uma companhia de referência em Portugal e na Europa”.
De 29 a 7 de junho as atividades vão percorrer toda a cidade, mas incidem com elevada frequência no Cineteatro Curvo Semedo e no novo espaço da companhia, a Carvoeira. Também as escolas são palco das artes: diversas oficinas vão “estacionar” a carrinha nos espaços escolares e na bagageira trazem escrita criativa, criação de fantoches, música e livros, para felicidade das crianças que costumam assistir. “Elas nunca querem sair daquelas oficinas. É um espaço para a criatividade e para a alegria, para o ato de o fazer”, explica.
Mas a vasta programação do certame não é só direcionada aos mais novos. "À noite toda a programação é virada para um público mais adulto, falando de temas complexo e questões que são temas da nossa sociedade", assegura o responsável pela direção artística.
Um exemplo disso é "O Capote", uma criação da Alma D’Arame com a colaboração do Teatrão - companhia sediada em Coimbra - inspirada nos textos de Nicolau Gogol que Amândio Anastácio caracteriza como “muito humanos mas, ao mesmo tempo, contam com um carácter também mordaz”. Sobe ao palco já esta sexta-feira.
“Erma” é outra estreia sublinhada, da autoria da portuense Catarina Falcão. Já a peça “Dom Quixote” também chega do Porto, desta vez pelas mãos da companhia Limites Zero.
No que diz respeito a nomes internacionais, seis outros países vão estar representados neste encontro. “Hélichryse”, de Bettina Szabo e interpretado pela companhia de dança canadiana Petrikor Danse, vem falar sobre a “menopausa como efeito transformador nas mulheres”. “Lullaby For Scavengers", do artista Kim Noble, que vem do Reino Unido, vem contar e cantar uma canção de embalar para necrófagos e é um dos principais destaques da organização.
“Posso também destacar um espetáculo que se chama “DIS ORDER”, da companhia de Cat Smith, da Holanda, que nos fala de um drama psicológico sobre os transtornos alimentares. Um será no dia 6, outro será no dia 7 e será o encerramento do festival”, acrescenta Amândio Anastácio. Holanda, Brasil, França e Itália são os outros países que marcam presença no encontro.
Finalmente, a organização salienta ”Espantos”, o projeto vencedor da Bolsa de Novas Criações para o Alentejo, que se estreia dia 30 de maio às 08h30, no Espaço do Tempo. "É muito importante porque é de uma jovem criadora, a Eunice Correia, que irá apresentar o resultado de três ou quatro residências que andou a fazer pelo Alentejo inteiro”, remata Amândio Anastácio.