Substituição dos caças F-16. Três gigantes tentam convencer Portugal
- 29/05/2026 10:20
- Redação
Com a decisão sobre quem vai substituir os caças F-16 ainda em aberto, todos tentam subir degraus para provar que têm a melhor qualidade possível no produto que apresentam. Norte-americanos da Lockheed Martin e europeus da Saab e da Airbus estão na linha da frente e participam num encontro que reúne entidades da área da defesa em Portugal.
Um dos principais argumentos usados pela empresa norte-americana é o de que o avanço tecnológico do modelo que desenvolveram dá garantias não apenas de presente: mas também de futuro. “O F-35 vai continuar a ser relevante nas próximas décadas. Estamos a falar de 2070 ou mais. Existe um programa de modernização significativo e robusto”.
Para a Lockheed Martin, as relações que mantém com Portugal há cerca de 50 anos podem estender-se por outros 50, já que “o F-35 vai continuar a ser atualizado, não é uma plataforma estática” e que fazer um acordo com a empresa pode significar ainda apoiar a indústria europeia (mesmo sendo uma empresa americana) – por parte da produção ser feita no "Velho Continente".
“As nossas portas estão abertas. Estamos aqui para reunir com quem quer que seja. Se os membros do governos estiveram aqui, adorávamos reunir-nos com eles”, lança o desafio o diretor responsável pelo desenvolvimento internacional dos F-35.
Se os americanos estão interessados, também os suecos da Saab querem tentar convencer o Governo a contratar o modelo de caças Gripen E.
Em termos de conversações com o Governo, “estamos a falar com todos os que queiram ouvir-nos, sabemos que ainda não existe um processo formal”, sublinha.
Ainda pela Saab, Peter Nilsson, responsável pelos programas avançados da empresa, entende que o orçamento europeu de defesa deve ser, em geral, aumentado: até porque temos “boas universidades, engenheiros e tecnologias” e porque “os Estados Unidos também querem que assumamos as nossas responsabilidade".
“Não devemos ter demasiado medo. É bom para Portugal, para a Suécia e para a Europa investir na nossa própria tecnologia e numa nova geração de engenheiros”, entende.
Sublinhando que se trata de caças já em serviço noutras forças aéreas europeias, a Airbus entende que se trata de uma oportunidade para “a indústria portuguesa participar numa cadeia de abastecimento aeroespacial e de defesa de elevado valor”, através de uma empresa que “já tem uma presença significativa e crescente em Portugal”.
Tal como as concorrentes nesta corrida, é destacado o ciclo de vida do programa Eurofighter, não sendo igualmente revelados quanto custaria esta operação ao Estado nem quantos aviões será necessário comprar.
A 13.ª edição dos AED Days decorre até esta sexta-feira, no Estoril. Trata-se de um evento nacional dedicado aos setores da aeronáutica, espaço e defesa, organizado pelo AED Cluster Portugal. Ao longo de três dias reúne intervenientes internacionais destas indústrias.
“A defesa é o tema do momento, onde Portugal vai investir muito dinheiro para se capacitar. O programa Safe e a substituição dos F16 são bons exemplos”, reforça José Neves, presidente do AED Cluster Portugal, apelando a “coordenação e estratégia” nesta altura.
Acerca deste evento, “mais do que fazer contactos” é “abrir portas num setor onde as relações tipicamente duram 10, 20, 30 anos”.
Questionado sobre se Portugal deve optar por uma empresa norte-americana ou por uma europeia na substituição dos F-16, José Neves afirma que “tem de ser uma decisão da Força Aérea”. “Tal como as fragatas na Marinha, tal como o Exército com os veículos blindados, quem está no terreno a operar e dá a sua vida pela pátria são as pessoas que têm de escolher o melhor para si e para dar robustez ao seu equipamento”, reforça.