"Era de evitar": Paula Teixeira da Cruz critica escolha para o SIRESP
- 29/05/2026 15:53
- Redação
“Penso que não fragiliza o ministro, mas como dizem os espanhóis: 'hombre, no es necessario', porque muitas das questões não estão esclarecidas", afirma a advogada.
Paula Teixeira da Cruz sintetiza: "Era de evitar. Haveria sempre polémica". A antiga ministra lembra que "havia problemas que nunca foram totalmente esclarecidos" e defende que a escolha podia ter sido outra.
Admite ainda que Luís Neves "terá tido, com certeza, bons fundamentos para proceder à nomeação", mas argumenta que a presidência do SIRESP podia ter sido entregue a uma figura mais consensual.
A antiga ministra de Passos Coelho sublinha que o antigo primeiro-ministro “diz aquilo que pensa” de forma direta e transparente e se quisesse atingir Luís Montenegro tê-lo-ia feito sem ambiguidades.
Paula Teixeira da Cruz não se quer pronunciar diretamente sobre um eventual regresso de Passos à política ativa, lembrando que o próprio já "afirmou que tal cenário apenas ocorreria em circunstâncias excecionais para o país", mas garante que se, e quando acontecer, será dito sem rodeios.
"Eu tenho a certeza absoluta que, se ele quiser, e quando quiser, ele dí-lo diretamente, de uma forma transparente", defende a antiga deputada do PSD.
Já sobre as palavras de Passos na mesma circunstância, que em conversa com André Ventura sugeriu que as pessoas estão a ficar "impacientes" por reformas estruturais, a antiga ministra sai em defesa do Governo da AD e argumenta que Montenegro não faz mais porque não consegue.
"É um Governo de maioria relativa, fazer reformas é muito difícil porque tem um partido populista à direita e tem o PS que se tem caracterizado por algum imobilismo", descreve.
Paula Teixeira da Cruz não se refere diretamente ao caso, mas fala num problema profundo: "Temos de ir mesmo à à raiz do mal, que é um caldo cultural em Portugal em que se faz o jeitinho, em que se mete uma cunha".
A antiga ministra da Justiça diz que "sempre foi uma pessoa livre no PSD" e compara o caso com o caso Tutti Frutti "que atinge o PSD", que, diz, está "muito relacionado com o jeitinho".
Teixeira da Cruz aponta ainda o caminho e vinca que os partidos precisam da "introdução de melhores práticas" através dos respetivos conselhos de jurisdição. A antiga ministra lamenta que se olhe para este tipo de "amiguismo" de "forma ligeira".