Festival Terras sem Sombra dá palco ao único coro mineiro da Península Ibérica
- 29/05/2026 18:35
- Redação
Completa este ano 75 anos de vida. O Coro Minero de Turón é hoje composto por cerca de 30 homens. Muitos foram mineiros, outros tantos são filhos de mineiros. Eles são o legado vivo da memória de uma das atividades económicas mais importantes das Astúrias, em Espanha.
“Havia 50 mil trabalhadores nas minas”, diz-nos Nicanor Garcia, presidente do coro que esta sexta-feira atuou no Centro Social LA Caballería de Ribera de Arriba, nos arredores da cidade de Oviedo.
Vestidos de fato de azul-escuro, com os capacetes brancos na cabeça, o coro atuou no primeiro dia do Festival português Terras sem Sombra que atravessou a fronteira para Espanha numa ação de três dias para promover o diálogo cultural ibérico.
“Muitos dos portugueses que vieram para as minas acabaram por cá ficar e se naturalizar espanhóis”, explica este responsável que olha para o coro como o único embaixador deste património das minas.
“É importante que a memória dos mineiros e da atividade continue viva”, aponta, explicando que estão a trabalhar com a academia no sentido de preparar uma candidatura da Património Imaterial da UNESCO.
Em comum com o Cante Alentejano que este sábado o Festival Terras sem Sombra leva às Astúrias, este coro tem o facto de ser uma tradição musical ligada ao trabalho e cantada, na sua maioria, por vozes masculinas.
Na apresentação, nos jardins do Centro Social, em Ribera de Arriba marcou presença o Presidente do Governo do principado das Astúrias, Adrián Bárbon, que defendeu o papel da diplomacia cultural.
Adrían Bárbon acrescenta que “com a globalização pensávamos que iam desaparecer todas as identidades. Mas como resposta a essa globalização, que quis homogeneizar tudo, surgem pessoas a reivindicar as suas identidades e culturas”, sublinha.
O presidente asturiano dá como exemplo o Festival português Terras sem Sombra que valoriza a cultura e “permite ligar a identidade da cultura do Alentejo com a cultura das Astúrias”.
Para o representante que defende uma língua própria das Astúrias, a língua local tem “a mesma raíz histórica que o Mirandês”.
O presidente do principado chega mesmo a ironizar: “Costumo dizer que um dia em que não saibam de mim nas Astúrias, o melhor é ir a Portugal procurar-me, porque sei onde quero viver um dia”.
Brincadeiras à parte, o responsável considera que “falta acrescentar” mais às relações entre Portugal e Astúrias. “É preciso melhorar. Podemos fazer mais. Aqui estou a conhecer vários autarcas do Alentejo de Portugal e fico de braços abertos para futuro”.
O Festival Terras sem Sombra, organizado pela Pedra Angular, decorre na região de Oviedo até domingo. Nas Astúrias, este sábado promovo uma ação dedicada ao património em Bueño com visitas aos “hórreos”, uma estrutura em pedra semelhante aos espigueiros portugueses.
No domingo desenvolve uma ação dedicada à biodiversidade, com observação e interpretação da paisagem do Vale do Nalón; organiza um mercado ibérico com produtos portugueses e espanhóis e leva o Cante Alentejano com o Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento.