Líbano denuncia "perigosa escalada de Israel" e pede cessar-fogo
- 30/05/2026 13:20
- Redação
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, denunciou este sábado a "escalada perigosa e sem precedentes" de Israel, referindo que está a avançar no sul do país e a realizar grandes ataques aéreos, tendo apelado a um cessar-fogo imediato.
Numa intervenção transmitida pela televisão libanesa, Salam defendeu a decisão das autoridades de prosseguir as negociações com Israel, uma medida contestada pelo grupo xiita pró-Irão Hezbollah, e afirmou que deve ser o caminho a seguir pelo Líbano.
"Perante a perigosa e sem precedentes escalada de Israel nos últimos dias, é necessário intensificar os esforços políticos e diplomáticos para alcançar um cessar-fogo rápido e genuíno", sublinhou.
O primeiro-ministro acusou Israel de "adotar uma política de 'terra queimada' e de punição coletiva", de "destruir cidades e aldeias e forçar os seus habitantes ao exílio", avisando que isso "não trará segurança, nem estabilidade".
Referindo-se às negociações diretas em curso com Israel desde abril, Salam declarou que o resultado "não está garantido", mas admitiu que "é o caminho menos dispendioso para o país e para o povo".
Delegações militares de ambos os países reuniram-se em Washington na sexta-feira para se prepararem para uma nova ronda de negociações, agendada para terça e quarta-feira, a quarta ronda desde o início da guerra, em março.
O comunicado emitido pelos Estados Unidos da América (EUA) após a reunião não mencionou um cessar-fogo, embora o exército israelita tenha intensificado as operações aéreas e terrestres no Líbano nos últimos dias, onde afirma estar a atacar o Hezbollah, que deseja ver desarmado.
A guerra no Líbano começou na sequência de um ataque de Israel do Hezbollah um dia após a investida do grupo islamita palestiniano em 7 de outubro de 2023.
Israel respondeu de imediato atacando o sul do Líbano e durante quase um ano o conflito manteve-se num formato de guerra de desgaste fronteiriça.
Ainda assim, os ataques diários forçaram a retirada de mais de 60 mil civis israelitas do norte de Israel e de dezenas de milhares de libaneses do sul do país.
Após meses de impasse, Israel mudou drasticamente a estratégia, no final de setembro de 2024, e deu início a operações cirúrgicas de grande impacto, como a explosão coordenada de 'pagers' e 'walkie-talkies' do Hezbollah e o assassinato do líder máximo do grupo, Hassan Nasrallah.
Finalmente, a 1 de outubro de 2024, iniciou formalmente uma invasão terrestre no sul do Líbano, transformando os combates fronteiriços numa guerra aberta de larga escala.
Atualmente, e apesar de um cessar-fogo, a guerra está a escalar, com as Forças de Defesa de Israel (FDI) a expandirem significativamente as operações terrestres e aéreas.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou a aceleração das operações, rejeitando qualquer abrandamento na campanha militar contra o Hezbollah e demarcou cerca de 18% do território do Líbano como "zona de combate", emitindo novas ordens de retirada em massa para populações do sul do país.