Crise na família é “uma das grandes feridas da sociedade contemporânea”, diz patriarca de Lisboa

Crise na família é “uma das grandes feridas da sociedade contemporânea”, diz patriarca de Lisboa

  • 30/05/2026 16:07
  • Redação

Na homilia da missa deste sábado, na Festa da Família, que decorreu nas Caldas da Rainha, recordou “números” que “falam de forma impressionante” sobre o casamento.

“No ano 2000, celebraram-se no Patriarcado de Lisboa 7633 matrimónios. Em 2025 celebraram-se 2092. Não absolutizamos estatísticas, mas elas revelam um sintoma profundo: cresce o medo do compromisso, o receio da entrega definitiva, a dificuldade em assumir a doação da vida como caminho de felicidade”, afirmou.

De acordo com o bispo de Lisboa, “esta crise nasce sobretudo de uma cultura marcada pelo descartável”. “O homem contemporâneo aprende facilmente a consumir, mas dificilmente aprende a permanecer. Aprende a experimentar, mas teme entregar-se. Aprende a reivindicar direitos, mas hesita perante a responsabilidade do amor fiel”, sublinhou o patriarca, que acrescentou, ainda, que “sem fidelidade não existe família”.

Diante de centenas de fiéis, muitos dos quais casais que celebraram 10, 25, 50, 60 ou mais anos de matrimónio (em 2026), D. Rui Valério disse ainda que “a família nasce quando alguém aceita sair de si mesmo para viver para outro; quando alguém compreende que amar não é possuir, mas oferecer-se”.

O patriarca lembrou, na homilia, que “misericórdia e fidelidade” são “palavras fundamentais para toda a família cristã”. “Nenhuma família vive sem misericórdias, porque todos falhamos, todos temos limites, todos precisamos de recomeçar. E nenhuma família permanece sem fidelidade, porque amar é permanecer quando é mais difícil.”

Neste dia em que o Patriarcado de Lisboa organizou a Festa da Família, D. Rui Valério fez questão de enfatizar que este evento “proclama ao mundo uma esperança”. “Afirma que ainda vale a pena amar para sempre. Que vale a pena construir uma vida comum.”

  • Fonte: Rádio Renascença
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