Madeira caída no centro pode ficar no terreno mais dois anos: “É como andar à pesca com uma grua”

Madeira caída no centro pode ficar no terreno mais dois anos: “É como andar à pesca com uma grua”

  • 31/05/2026 04:45
  • Redação

A região Centro não vai conseguir retirar, antes do verão, as árvores e o material lenhoso derrubados pela tempestade Kristin. Mesmo com o prazo para limpeza de terrenos alargado até 30 de junho em todo o território nacional, a conclusão dos trabalhos é, no terreno, considerada impossível.

Este responsável explica que não se trata apenas de cortar e retirar árvores. A madeira tem de ser separada, preparada e colocada em condições de entrar na indústria. Caso contrário, avisa, a própria indústria, já com excesso de madeira, pode levantar dificuldades à receção do material.

É por isso que Pedro Serra Ramos resume a dimensão da operação com uma imagem forte “é como andar à pesca com uma grua. É muito difícil. A madeira tem de ser preparada para entrar na indústria, porque, se não for assim, a indústria, que já tem excesso de madeira, ainda levanta mais dificuldades ao recebê-la. Tudo isso obriga a operações suplementares e atrasa todo o processo.”

As empresas florestais estão já a trabalhar na capacidade máxima. Muitas tiveram mesmo de suspender contratos noutras regiões do país para deslocar meios para a região Centro. Pedro Serra Ramos admite muito trabalho pela frente “vai ser um trabalho ainda longo. Muitas empresas tiveram de se deslocar e suspender contratos que tinham noutras regiões para poderem vir dar uma ajuda.”

Pedro Serra Ramos deixa também um aviso mais estrutural. Enquanto Portugal não profissionalizar a gestão da floresta, a época de incêndios continuará a ser difícil e perigosa. Para este especialista, pedir todos os anos aos proprietários que limpem terrenos é uma resposta curta: obriga-os a gastar dinheiro, mas não resolve o problema de fundo.

  • Fonte: Rádio Renascença
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