Cante Alentejano chega às Astúrias com o Festival Terras sem Sombra

Cante Alentejano chega às Astúrias com o Festival Terras sem Sombra

  • 31/05/2026 10:03
  • Redação

“Grândola, Vila Morena” foi uma das canções com que o Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento arrancou um forte aplauso do público asturiano que marcou presença, no Festival português Terras sem Sombra que atravessou a fronteira para Espanha.

Acompanhados pela gaita-de-foles de Vicente Prado Suárez, “El Pravianu”, os cantadores de traje preto e chapéus de feltro altos foram também muito aplaudidos quando entoaram o hino dos mineiros, numa terra que já foi de grande exploração mineira.

Em Ribeira de Arriba, em Soto de Ribera, a escassos quilómetros da cidade de Oviedo deu-se este encontro musical entre a tradição do Alentejo e as Astúrias. No Centro Social La Caballería, serviram-se também iguarias gastronómicas portuguesas, oferecidas pelo Hotel Sines Sea View, a pare de um mercado de artesanato local.

Mas a manhã foi dedicada ao ambiente. Num município onde a paisagem verde é interrompida por uma grande central térmica situada nas margens da confluência dos rios Nalón e Caudal, há um cuidado de preservação.

Na visita, com o sol a espreitar entre as serras deste vale, o ouvido do médico português e fotógrafo da natureza, Dinis Cortes identificou o som de vários pássaros. Mas este naturalista começou por explicar ao grupo do Festival Terras sem Sombra que o terreno que pisavam nasceu há 300 milhões de anos.

Ao longo da caminhada, outro dos guias, Luís Carlón, do Jardim Botânico Atlântico de Gijón foi identificando várias espécies de árvores, alguns delas invasoras outras autóctones. “Há muitas que são comuns ao património natural de Portugal, como é o caso dos Freixos”, explica.

Mais à frente, onde no meio da paisagem verde volta a surgir outra das indústrias fortes da região, com a fábrica Arias de produtos lácteos, o grupo do Festival Terras sem Sombra fica a conhecer a importância desta atividade económica como fixadora de população neste município que tem pouco mais de 1800 habitantes.

Outro dos especialistas que acompanhou este passeio de cerca de 5 quilómetros ao longo do rio Nalón foi o português João Farminhão, da Universidade de Coimbra.

Depois de Dinis Cortes ter apontado a passagem de uma borboleta, o botânico explica que se trata de uma espécie que já foi “encontrada na Venezuela, ou seja, sabe-se que atravessa o Atlântico”.

A visita é mais uma das iniciativas do Festival Terras sem Sombra do Alentejo que, tal como faz em Portugal, também aqui em Espanha, nas Astúrias promoveu o conhecimento do património e da biodiversidade regional.

  • Fonte: Rádio Renascença
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