Baixar dose de tamoxifeno pode reduzir risco de cancro da mama voltar e efeitos adversos
- 31/05/2026 19:01
- Redação
Um tratamento em doses mais baixas do medicamento tamoxifeno pode reduzir significativamente o risco de recidiva e de novos tumores da mama, ao mesmo tempo que evita "efeitos adversos pesados".
Um estudo internacional coordenado pelo Istituto Europeo di Oncologia e pela Fundação Champalimaud analisou dados de mais de 1.545 mulheres com cancro da mama em Itália, durante mais de nove anos, e conclui que o uso de tamoxifeno em baixa dose mantém a eficácia preventiva da dose convencional.
Uma das principais vantagens da redução da dose é a diminuição dos efeitos secundários associados ao tratamento.
O benefício do tamoxifeno em dose elevada – 20 mg por dia durante cinco anos – é conhecido há décadas, mas a sua utilização clínica tem sido limitada pela toxicidade, que leva muitas mulheres e equacionarem o tratamento.
Os resultados mostram uma redução significativa dos eventos oncológicos mamários, com impacto particularmente relevante nas mulheres em pós-menopausa, nas quais se observou uma redução de 59% do risco de recidiva ou de novo tumor mamário em comparação com as mulheres que não receberam a terapêutica.
Já nas mulheres em pré-menopausa, o maior benefício foi observado na redução em 55%, dos tumores que surgem na mama oposta à já intervencionada.
Com doses mais baixas, o estudo aponta para benefícios sustentados sem aumento significativo de eventos adversos graves, tornando a opção mais tolerável a longo prazo.
Os investigadores defendem que estes resultados reforçam uma mudança de paradigma no tratamento do cancro da mama.
Para os estudiosos, numa fase inicial, deve-se optar pela dose mínima eficaz. O tamoxifeno em baixa dose pode agora ser considerado uma terapêutica padrão após cirurgia em casos de "carcinoma ductal in situ" (cancro da mama não invasivo ou em estádio 0) e lesões de alto risco.
O estudo abre ainda portas à utilização desta estratégia em mulheres saudáveis, mas com risco elevado de desenvolver cancro da mama, nomeadamente por fatores genéticos ou antecedentes familiares.
O oncologista Andrea confia que, no futuro, o cancro tem de ser prevenido como se “faz agora na cardiologia, prevenindo os fatores de risco como a tensão arterial alta e o colesterol”
Os investigadores admitem ainda que tratamentos mais leves e melhor tolerados poderão aumentar a adesão à prevenção farmacológica.