Campanha de recolha do Banco Alimentar regista subida de 2,5%
- 01/06/2026 00:15
- Redação
A campanha do Banco Alimentar Contra a Fome (BACF) recolheu 1.930 toneladas de alimentos este fim de semana, mais 2,5% em relação à campanha de maio do ano passado.
A presidente da Federação dos Bancos Alimentares, Isabel Jonet, admite que esperava um "um fim de semana difícil", tendo em conta fatores como o bom tempo.
"No entanto, os voluntários compareceram e os doadores mostraram a sua solidariedade ao doar esta quantidade tão grande e tão sucessiva de alimentos."
"As campanhas são o melhor que podem ser em cada momento", reflete Jonet, mostrando-se grata "pelas pessoas que quiseram expressar a sua solidariedade".
A campanha do Banco Alimentar envolveu cerca de 40 mil voluntários em mais de duas mil superfícies comerciais em todo o país.
Os bens alimentares recolhidos "são muito importantes num contexto marcado pela crescente instabilidade internacional, pelos conflitos armados em várias regiões do mundo, pelas perturbações nas cadeias de abastecimento e pelo aumento generalizado dos preços dos bens essenciais e da energia", lê-se num comunicado divulgado pela instituição.
Estes são desafios que "se traduzem numa conjuntura em que muitas famílias enfrentam dificuldades acrescidas no acesso à alimentação e podem ser empurradas para uma situação de pobreza".
Apesar do aumento dos preços em alguns produtos essenciais, Isabel Jonet garante que o cabaz doado continua "bastante equilibrado", mas aguarda dados posteriores, de forma a perceber as tendências de doação de cada bem, assumindo que "às vezes as pessoas dão mais arroz e menos azeite", como exemplo.
"Os portugueses doam aquilo que sabem que as famílias mais necessitam, e isso é igual àquilo que vão comprar para as suas casas" diz a Presidente do Banco Alimentar.
Antes do início da campanha, Jonet tinha falado de um aumento dos pedidos de apoio de famílias carenciadas ao Banco Alimentar Contra a Fome devido à subida do preço dos combustíveis e dos custos com habitação.
As campanhas de recolha de alimentos do Banco Alimentar realizam-se duas vezes por ano, habitualmente nos últimos fins de semana de maio e de novembro, com o objetivo de angariar alimentos básicos, como leite, arroz, massas, azeite, óleo, grão e feijão, atum, salsichas, bolachas e cereais de pequeno-almoço.
Além dos supermercados, a recolha de alimentos acontece também "online", até 07 de junho, através da plataforma digital "Alimente esta Ideia" ou do Portal de Doações Online do Banco Alimentar.
Os produtos vão ser encaminhados para os armazéns do Banco Alimentar da respetiva região, onde vão ser pesados, separados e acondicionados para entregar a 2.400 entidades beneficiárias, à semelhança de anteriores campanhas.
"São estas que os levarão à mesa de quem mais precisa, através de cabazes ou de refeições confecionadas, atualmente cerca de 370 mil pessoas em situação de pobreza e com carências alimentares", refere o comunicado.
A participação pode ainda ser feita através da modalidade de vales de produtos selecionados, como azeite, óleo, leite, salsichas e atum, representando cada vale uma unidade do produto.
Com esta modalidade, disponível nas caixas dos supermercados, é a própria cadeia de lojas que entrega os produtos no Banco Alimentar da sua região, permitindo assim diminuir a logística relativa à gestão de centenas de voluntários, à separação e transporte dos alimentos recolhidos.
Em 2025, na campanha homóloga do Banco Alimentar Contra a Fome, que começou no último dia de maio, foram angariadas 1.878 toneladas de alimentos nos supermercados.
Já a campanha de recolha em novembro de 2025, registou uma queda de 2,8% face à campanha homóloga de 2024, angariando 2.150 toneladas de alimentos.