Dia da Criança: GNR alerta para sinistralidade infantil nas estradas e riscos de afogamento
- 01/06/2026 06:15
- Redação
A Guarda Nacional Republicana (GNR) divulgou esta segunda-feira, Dia Mundial da Criança, um retrato preocupante da sinistralidade rodoviária e dos afogamentos envolvendo menores de idade, reforçando o apelo à vigilância ativa por parte dos pais, cuidadores e de toda a sociedade.
Os dados, que abrangem o período entre 2024 e abril de 2026, mostram que as crianças transportadas como passageiras continuam a constituir o grupo mais afetado pelos acidentes rodoviários. Em 2025 foram registadas 1.271 vítimas, face a 1.196 no ano anterior. Entre os casos contabilizados no ano passado, registaram-se cinco vítimas mortais, quatro das quais na faixa etária dos 6 aos 10 anos e uma entre os 11 e os 16 anos. Os restantes casos resultaram em feridos graves ou ligeiros.
Segundo a GNR, os jovens entre os 11 e os 16 anos concentram o maior número de ocorrências, refletindo uma maior exposição à circulação rodoviária. “Esta categoria regista o maior volume de vítimas infantis, estando habitualmente associada à deslocação em ambiente familiar”, destaca a Guarda.
Também os atropelamentos continuam a merecer especial preocupação. Em 2025 foram registadas 236 vítimas menores enquanto peões, das quais uma perdeu a vida. No ano anterior tinham sido contabilizadas 234 vítimas, incluindo duas mortes de crianças entre os 6 e os 10 anos. Mais uma vez, o grupo dos 11 aos 16 anos surge como o mais vulnerável, concentrando mais de metade das ocorrências.
A utilização de bicicletas é outra área que evidencia uma evolução preocupante. O número de crianças e jovens vítimas enquanto condutores de velocípedes aumentou de 325 em 2024 para 406 em 2025, uma subida superior a 24%. A esmagadora maioria dos acidentes envolveu jovens dos 11 aos 16 anos. Em 2024 foi ainda registada uma vítima mortal nesta faixa etária.
Paralelamente, a GNR chama a atenção para aquilo que considera ser um “verdadeiro perigo silencioso”: os afogamentos de menores. Apesar de os casos terem diminuído de 11 em 2024 para cinco em 2025, a Guarda sublinha que estes acidentes continuam a representar um risco significativo, sobretudo para as crianças mais novas.
“Os dados expõem dois padrões comportamentais muito distintos”, refere a GNR. As crianças entre os 0 e os 4 anos representam o grupo de maior risco, concentrando cerca de 34% dos casos, maioritariamente em piscinas particulares, tanques e poços. Já entre os 10 e os 14 anos, os acidentes ocorrem sobretudo em praias, rios, lagoas e outros espaços naturais.
Os rapazes continuam a ser as principais vítimas dos afogamentos, representando cerca de 60% dos casos registados. Em 2025, o distrito de Santarém liderou o número de ocorrências, com três casos, seguindo-se Braga e Setúbal, com um caso cada.
Perante estes indicadores, a GNR reforça a importância da utilização correta dos sistemas de retenção infantil e dos cintos de segurança, do uso de capacete na condução de bicicletas e da adoção de comportamentos seguros na travessia das vias. Relativamente aos ambientes aquáticos, a Guarda lembra que “a supervisão deve ser feita a uma distância que permita tocar-lhes imediatamente”, alertando ainda para a necessidade de vedar piscinas, proteger poços e cobrir tanques e fossas.
“A segurança das crianças depende inteiramente da responsabilidade e da atenção dos adultos, pelo que garantirmos a sua integridade constitui o melhor presente que lhes podemos dar”, conclui a GNR.