Netanyahu ordena ataques aos subúrbios do sul de Beirute

Netanyahu ordena ataques aos subúrbios do sul de Beirute

  • 01/06/2026 08:31
  • Redação

Os habitantes começaram a abandonar os subúrbios do sul de Beirute, conhecidos como Dahiyeh, em resposta ao aviso israelita — a mais recente vaga de deslocações num conflito que já obrigou mais de um milhão de pessoas a abandonar as suas casas no Líbano.

“Não haverá qualquer situação em que o Hezbollah ataque as nossas cidades e os nossos cidadãos e o seu quartel-general terrorista em Beirute, em Dahiyeh, permaneça intocável”, declarou Netanyahu numa mensagem vídeo.

Depois de ter bombardeado intensamente os subúrbios do sul de Beirute nas primeiras semanas da guerra, Israel realizou apenas dois ataques nessa área desde que o Presidente norte-americano Donald Trump anunciou um cessar-fogo no Líbano, a 16 de abril, apesar de os combates terem continuado no sul do país.

O conflito teve início a 2 de março, quando o Hezbollah abriu fogo contra Israel em solidariedade com o Irão, que estava então sob ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel.

“Esta é a terceira vez desde o cessar-fogo que andamos de um lado para o outro”, afirmou Naji Musulmani, de 61 anos, enquanto conduzia uma carrinha carregada de colchões pelas congestionadas ruas de Beirute, afastando-se dos subúrbios do sul.

Depois de ter fugido do sul do país nos últimos dias, Musulmani disse que seguiria para a cidade de Tripoli, no norte do Líbano.

Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, ordenaram às forças armadas israelitas que atacassem “alvos terroristas” nos subúrbios do sul de Beirute, na sequência das “repetidas violações” do cessar-fogo por parte do Hezbollah e dos seus “ataques contra as nossas cidades e cidadãos”, segundo um comunicado do gabinete de Netanyahu.

A ordem surgiu após uma intensificação das hostilidades no sul do Líbano durante o fim de semana, incluindo a captura, pelas tropas israelitas, do Castelo de Beaufort, uma fortificação com cerca de 900 anos.

O Hezbollah, movimento criado pelos Guardas Revolucionários do Irão em 1982, afirmou que os seus combatentes lançaram uma salva de mísseis contra infraestruturas militares israelitas na cidade de Tiberíades, às 01h00 de segunda-feira, entre outros ataques que classificou como resposta às violações israelitas do cessar-fogo.

O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, declarou que não haverá “calma” em Beirute se não houver “calma” no norte de Israel.

As autoridades libanesas afirmam que mais de 3.400 pessoas morreram no país em consequência dos ataques israelitas desde 2 de março, data em que o Hezbollah abriu fogo contra Israel em apoio ao Irão durante os ataques conduzidos pelos EUA e por Israel.

Israel afirma que, no mesmo período, morreram 24 soldados israelitas e quatro civis.

As hostilidades intensificaram-se no Líbano apesar de uma série de encontros raros entre os governos libanês e israelita, sob supervisão de Washington.

Um responsável norte-americano declarou no domingo que o secretário de Estado, Marco Rubio, falou com o Presidente libanês, Joseph Aoun, e com Netanyahu sobre as negociações diplomáticas entre Israel e o Líbano, propondo um plano que permitiria uma “desescalada gradual”.

Numa primeira fase, o Hezbollah cessaria todos os ataques contra Israel e, em contrapartida, Israel abster-se-ia de escalar a situação em Beirute, explicou o responsável norte-americano.

A mesma fonte acrescentou que Aoun tentou promover a proposta e alcançar um acordo. No entanto, disse que o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, que alegou poder “garantir” o compromisso do Hezbollah com um cessar-fogo, colocou sobre Israel a responsabilidade de deixar de “disparar primeiro”.

Uma fonte libanesa de alto nível disse à Reuters que a proposta norte-americana previa a suspensão dos ataques do Hezbollah contra o norte de Israel em troca da interrupção dos bombardeamentos sobre Beirute e os seus subúrbios, como passo inicial para um cessar-fogo completo.

Segundo essa fonte, Berri pretendia, contudo, um cessar-fogo total e abrangente, em vez de uma abordagem faseada.

Uma segunda fonte libanesa familiarizada com os contactos diplomáticos entre Beirute e Washington afirmou que o anúncio de Netanyahu esta segunda-feira reflete a deterioração da via diplomática liderada pelos Estados Unidos.

  • Fonte: Rádio Renascença
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