"Passos compreende que, provavelmente, o seu tempo político já passou", diz Poiares Maduro
- 01/06/2026 17:43
- Redação
O social-democrata olha para as intervenções de Passos Coelho como "expressão de alguém que compreende que, provavelmente, o seu tempo político já passou".
Miguel Poiares Maduro diz não ter "competência" para concluir a quem se referia o antigo-primeiro ministro quando falou em "políticos postiços" e "prostitutos sem carácter". Do que diz ter privado com o antigo primeiro-ministro acredita que o discurso teve um contexto por estar inserido na apresentação de um livro, embora reconheça que as palavras usadas são "fortes". Até "poderão ser entendidas como fortes demais", reforça.
Miguel Poiares Maduro desvaloriza e recorda que o antigo primeiro-ministro já foi interventivo sobre matérias diferentes desde a vontade reformista do Governo a outras propostas de políticas públicas. O social-democrata entende ainda que o atual primeiro-ministro, Luís Montenegro, deve "colocar-se acima" de todas as intervenções porque ao liderar o Governo tem uma vantagem sobre todos os políticos: "ser bem sucedido e continuar a conquistar os cidadãos", defende Poiares Maduro.
Do lado socialista, Fernando Medina considera que a última declaração de Pedro Passos Coelho não deve ser desligada das anteriores e coloca o antigo primeiro-ministro como um dos "atores mais incisivos na crítica à governação".
O antigo ministro das Finanças do PS acredita que as posições de Pedro Passos Coelho resultam de "inconformismo".
Medina entende que Passos Coelho tem identificado "bem o problema e o momento", mas mantém uma "resposta insuficiente" por não apresentar alternativas. O socialista acredita que o antigo primeiro-ministro "ficará sempre fragilizado se assentar a afirmação exclusivamente na crítica".
O antigo autarca e ex-ministro das Finanças deseja que o processo seja rápido e coloca nas mãos dos dois vereadores da Câmara de Lisboa constituídos arguidos a decisão sobre se devem suspender o mandato.
Fernando Medina recorda que no PS a "doutrina estabelecida é a de que "o titular de cargo político deve deixar o lugar no momento em que seja confirmada a acusação por um juiz de instrução ou caso tenha havido uma condenação em sede de primeira instância judicial" e que, por isso, noutro quadro a decisão deve depender da "consciência de cada um".
Já Miguel Poiares Maduro sublinha a necessidade de a justiça ser célere nos processos e entende que não se pode ignorar que estas operações suscitam questões de uma excessiva proximidade entre os partidos políticos e a máquina da administração pública. Defende que deve ser reforçado o processo de autonomia e Independência da administração pública e desde logo nos processos de nomeação.