Esquema "Olá pai, olá mãe": pai e filho condenados a prisão efetiva
- 02/06/2026 05:59
- Redação
Um pai e um filho foram condenados pelo Tribunal de Leiria a penas de prisão efetiva pela prática de várias burlas através do esquema conhecido como "Olá pai, olá mãe", que levou vítimas de diferentes pontos do país a transferirem dinheiro acreditando estar a ajudar familiares em dificuldades.
Segundo o acórdão, a que a agência Lusa teve acesso, os arguidos, de 58 e 25 anos, foram condenados a uma pena única de dois anos e nove meses de prisão por seis crimes de burla, um dos quais na forma tentada. O coletivo de juízes recusou suspender a execução da pena.
O tribunal determinou ainda a perda das vantagens obtidas com a atividade criminosa, no valor total de 5.114,97 euros, quantia que ambos terão de entregar ao Estado.
De acordo com a decisão judicial, os dois homens atuaram em conjunto desde junho de 2024, distribuindo tarefas entre si para concretizar o esquema fraudulento. Através de mensagens enviadas por telemóvel, faziam-se passar por filhos, familiares ou amigos das vítimas e alegavam situações urgentes que exigiam pagamentos imediatos.
As vítimas eram assim levadas a efetuar transferências bancárias, pagamentos por referência multibanco e MB WAY, convencidas de que estavam a ajudar pessoas próximas. O dinheiro acabava por ser canalizado para contas controladas pelos arguidos ou por terceiros.
No acórdão, os juízes consideram provado que os dois homens utilizaram um método especialmente concebido para enganar os destinatários das mensagens. "Os arguidos agiram sabendo que estavam a usar um processo adequado para induzir em erro os destinatários das mensagens", lê-se na decisão.
Os montantes obtidos variaram entre 265,45 euros e 2.805 euros por vítima, totalizando 5.114,97 euros em prejuízos.
Os arguidos, que se encontravam em prisão preventiva durante o julgamento, passaram entretanto a estar sujeitos à medida de termo de identidade e residência.
A investigação foi conduzida pela Polícia Judiciária de Leiria, que deteve os suspeitos em julho de 2025. Na altura, a PJ revelou que ambos utilizavam mensagens fraudulentas para simular pedidos urgentes de familiares, tendo apreendido diversos equipamentos informáticos alegadamente usados na prática dos crimes.
Segundo as autoridades, os dois homens não tinham atividade profissional conhecida e faziam desta prática criminosa o seu principal meio de subsistência.