Ir ao teatro ou a um museu pode vir a ser prescrito pelos médicos em Portugal

Ir ao teatro ou a um museu pode vir a ser prescrito pelos médicos em Portugal

  • 02/06/2026 06:15
  • Redação

A Universidade do Porto recebe esta terça-feira o 3.º Encontro Internacional de Prescrição Cultural, iniciativa que servirá para apresentar um modelo-piloto destinado a integrar atividades artísticas e culturais nas políticas de saúde e bem-estar em Portugal.

A proposta surge no âmbito dos trabalhos para a futura Estratégia Nacional de Saúde e Cultura, atualmente em preparação pela Direção-Geral da Saúde.

O modelo é promovido pelo Consórcio da Prescrição Cultural, que reúne as universidades do Porto, Minho e Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), além de museus municipais, autarquias, a Direção-Geral da Saúde, a Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte.

De acordo com a vice-reitora para a Cultura e Museus da Universidade do Porto, Fátima Vieira, o objetivo passa por criar uma estrutura permanente de colaboração entre diferentes entidades.

“O objetivo deste consórcio é institucionalizar em todo o país uma rede ativa entre universidades, municípios, museus, unidades de saúde, ordens profissionais e entidades públicas, para integrar a Prescrição Cultural nas políticas de saúde”, afirma.

A vice-reitora defende que a participação em atividades como música, dança, teatro, escrita criativa ou visitas a museus pode desempenhar um papel relevante na promoção do bem-estar e da saúde mental.

“Incluir a participação em atividades culturais e artísticas nos cuidados de saúde e bem-estar em Portugal será o núcleo da estratégia nacional que vamos propor”, sublinha, acrescentando que a implementação do modelo exigirá formação alargada de profissionais das áreas da saúde, educação, psicologia, artes e museologia.

A Direção-Geral da Saúde já constituiu um grupo de trabalho dedicado à definição de uma estratégia nacional nesta área. O consórcio defende um modelo integrado que acompanhe todas as fases do processo de prescrição cultural, desde a referenciação dos participantes até à avaliação dos resultados.

Para Fátima Vieira, a Prescrição Cultural deve assumir-se como um complemento aos cuidados prestados pelo Serviço Nacional de Saúde.

“A prescrição cultural deve ser entendida como um recurso complementar a integrar no Serviço Nacional de Saúde, permitindo que profissionais desta área referenciem pessoas para atividades artísticas e culturais estruturadas, acompanhadas por mediadores e adaptadas às suas necessidades”, explica.

A Universidade do Porto já deu passos concretos neste domínio, tendo criado em 2025 uma unidade curricular de Prescrição Cultural, destinada a estudantes de áreas como Psicologia, Saúde, Artes Plásticas, Museologia, História da Arte e Ciências da Educação.

O encontro reúne académicos, profissionais de saúde, artistas, assistentes sociais, mediadores culturais e representantes de unidades locais de saúde, num momento em que a ligação entre cultura e saúde ganha cada vez mais reconhecimento internacional. A Organização Mundial da Saúde tem destacado o contributo das artes para a promoção da saúde e da qualidade de vida, uma abordagem que está já disseminada em vários países europeus.

  • Fonte: Rádio Renascença
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