ONU alerta para risco de calor extremo devido ao fenómeno El Niño

ONU alerta para risco de calor extremo devido ao fenómeno El Niño

  • 02/06/2026 08:17
  • Redação

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou esta terça-feira para a possibilidade de um fenómeno El Niño moderado ou forte nos próximos meses, capaz de elevar as temperaturas globais e aumentar o risco de fenómenos meteorológicos extremos em várias regiões do mundo.

O El Niño é um fenómeno climático caracterizado pelo aquecimento periódico das águas superficiais do Pacífico central e oriental. Os seus efeitos costumam alterar os padrões meteorológicos globais, provocando chuvas mais intensas em algumas regiões e secas severas noutras.

De acordo com a OMM, o fenómeno poderá trazer mais precipitação ao sul da América do Sul, a partes dos Estados Unidos, ao Corno de África e à Ásia Central. Em contrapartida, poderá provocar secas na Austrália, América Central, Indonésia e em várias zonas do sul da Ásia.

A organização alerta ainda para o aumento da atividade ciclónica no Pacífico central e oriental e para consequências associadas ao calor extremo, como a propagação de doenças transmitidas por mosquitos e carraças e a redução da disponibilidade de alimentos e água. Celeste Saulo avisou que “as comunidades que já enfrentam dificuldades serão empurradas ainda mais para além dos seus limites”.

Nestas declarações à Reuters, a responsável recordou também que o último episódio forte de El Niño, entre 2023 e 2024, contribuiu para que 2024 se tornasse o ano mais quente alguma vez registado, sublinhando o potencial impacto do fenómeno no agravamento das alterações climáticas.

Além dos impactos climáticos, especialistas, ouvidos pela agência de notícias britânica, alertam para possíveis consequências económicas. O diretor-executivo da Barry Callebaut, Hein Schumacher, revelou que a empresa acompanha com preocupação a evolução do fenómeno, devido aos possíveis efeitos nas colheitas de cacau no Equador e na África Ocidental, regiões responsáveis por cerca de 60% da produção mundial.

“É algo que estamos a acompanhar com muita cautela. O El Niño poderá ter um impacto que conduza a aumentos de vários milhares por tonelada”, afirmou Schumacher, admitindo uma nova pressão sobre os preços da matéria-prima.

Apesar de alguns serviços meteorológicos nacionais preverem o El Niño mais intenso da última década, a OMM mantém prudência quanto à sua magnitude. Ainda assim, os especialistas identificaram temperaturas subsuperficiais no Pacífico tropical mais de seis graus Celsius acima da média, criando uma vasta reserva de calor que continua a alimentar o aquecimento das águas à superfície e a aumentar o risco de fenómenos meteorológicos extremos à escala global.

  • Fonte: Rádio Renascença
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