Primeiro atleta paralímpico pode chegar ao espaço em 2027
- 03/06/2026 09:03
- Redação
John McFall não tem uma perna, mas isso não o impede de nada. Muito menos de ir ao espaço. O britânico, atleta paralímpico, estás prestes a tornar-se na primeira pessoa portadora de deficiência a fazer um voo espacial. Uma mensagem poderosa, acredita o próprio, de que não há limites para o que se pode alcançar.
A missão, se vier a concretizar-se, terá duas semanas. O foco é perceber como o ambiente espacial interage com o seu corpo, bem como os efeitos que produz nas próteses modernas.
“Se conseguirmos concretizar esta missão, não será apenas um marco para os voos espaciais tripulados, mas também transmitirá uma mensagem poderosa sobre o que as pessoas com deficiência são capazes de fazer e de que não deve haver limites para o que se pode alcançar – seja na Terra ou no espaço”, disse McFall, no Centro Europeu de Astronautas, na Alemanha.
O cirurgião e ex-atleta paralímpico britânico demonstrou-se entusiasmado com a possibilidade de embarcar na viagem espacial que pode vir a ser muito mais do que uma simples experiência. A missão de John McFall é bastante promissora no que diz respeito aos avanços nas técnicas de reabilitação para pessoas amputadas, nos futuros desenhos de próteses mais leves e adaptáveis, bem como ajudar a perceber melhor dois dos problemas que estas pessoas frequentemente enfrentam: a osteoporose e a atrofia muscular.
Esta terça-feira, a Agência Espacial do Reino Unido declarou o seu apoio à empresa americana Vast Space, na procura de patrocínios que possam financiar a viagem do astronauta.
Aos 19 anos um acidente de mota levou-o a ter de amputar a perna direita. John McFall, nascido em Surrey no Reino Unido, agora com 45, não se deixou abalar e continuou o seu percurso. Em 2008, nos Jogos Paralímpicos de Pequim, o atleta alcançou o bronze na prova dos 100 metros T42. Mais tarde, dedicou-se à medicina e formou-se como cirurgião ortopédico.
Desde 2022 que o ex-atleta integra o programa de astronautas Fly! da Agência Espacial Europeia (ESA) — uma iniciativa com o fim de estudar a inclusão de astronautas com deficiências físicas em missões espaciais de longa duração.
Em 2025, McFall tornou-se na primeira pessoa com uma deficiência física a receber autorização médica para uma missão espacial de longa duração, mas desde 2023 tem vindo a treinar no Centro Europeu de Astronautas, na Alemanha. Os treinos do astronauta incluem voos parabólicos em gravidade zero, treinos de sobrevivência em ambientes remotos e aprendizagem de pilotagem de aeronaves ligeiras.
“A nível pessoal, trata-se do desafio, da aventura, da curiosidade”, afirmou John McFall, no Centro Europeu de Astronautas da ESA, na Alemanha, depois de o governo britânico assinar acordo com a empresa Vast Space.
A Vast Space está encarregue da construção da futura estação espacial comercial Heaven-1 — cujo lançamento se prevê para o próximo ano — e onde John deve voar junto de mais astronautas. Com um interior revestido de madeira, uma janela para observar a Terra e um laboratório para investigação em microgravidade, esta estação é ligeiramente mais pequena do que um autocarro, contudo mais confortável para a tripulação, que pode chegar aos quatro astronautas.
O diretor da Vast Space, Max Haot, sublinhou que esta oportunidade de McFall “é mais um exemplo de como as estações espaciais comerciais podem alargar o acesso ao espaço, promover uma maior inclusão da tripulação e possibilitar investigação médica significativa que beneficie a humanidade”. “É uma honra colaborar com o Governo do Reino Unido no avanço da sua liderança no espaço”, acrescentou.
Se esta viagem se concretizar, John McFall vai ser o primeiro britânico no espaço desde 2015/16 — altura em que Tim Peake passou seis meses na ISS no âmbito da missão Principia da ESA.