Há muita "trenguice" para ver e fazer no Porto neste mês de junho
- 03/06/2026 07:00
- Redação
Inovação estética, dramatúrgica e das técnicas de circo, bem como a tradicional aposta de “grande proximidade” com o público é o mote da 11.ª edição do Festival de Circo Trengo.
Entre atuações que chamam públicos de todas as idades, contam-se os “extras”: workshops de malabarismo criativo, formações e as Extensões do Festival que este ano chegam a Penafiel e Viseu.
“Vamos pôr muitas pessoas em cena, vamos fazer workshops com mulheres sênior que vão participar nos espetáculos. Portanto, esta é a grande diferenciação deste ano: realmente, estamos a cumprir este nosso objetivo de participação do público nos espetáculos”, diz a diretora artística, Julieta Guimarães, sobre o festival que decorre de 17 a 21 de junho.
São cerca de 20 apresentações de 12 espetáculos que juntam artistas dos “20 e poucos anos aos 60”, que se direcionam a idades diferentes: “Temos muitos espetáculos que são dirigidos à família, para serem assistidos pelos miúdos com os seus pais. E depois temos alguns espetáculos que são mais dirigidos a um público geral e outros, se calhar, a um público mais adulto”, explica Julieta Guimarães, sublinhando a dimensão interativa de toda a programação.
A participação e integração de artistas mulheres nesta 11.ª edição do Trengo foi mais um ponto destacado. “É um cuidado que nós tentamos ter muito no festival: não esquecer as mulheres. É muito fácil encontrar espetáculos com homens, mas não é muito fácil encontrar tantos espetáculos com mulheres”, afirma a direção artística.
Contudo, as extensões ao Teatro Viriato, em Viseu, e ao Ponto C, em Penafiel, levam alguns espetáculos a circular pelo norte do país, entre os quais se destacam “CONHORT” — dia 20 junho em Penafiel — uma apresentação de 50 minutos que chega da Catalunha e que marca presença também no espaço Cace. “DOMTE” é mais uma peça da Catalunha que vai ser apresentada em Viseu no dia 26 de Junho e no Parque do Covelo nos dias 20 e 21.
A presença de artistas e companhias estrangeiras é, segundo Julieta Guimarães, um exemplo da relevância das parcerias internacionais para os artistas locais portugueses. “Muitas vezes, é destas relações do festival e do espaço que nascem as possibilidades de, por exemplo, internacionalização de artistas locais."
"A Catalunha é um desses exames com quem temos mantido esta relação”, detalha.
No que diz respeito aos destaques, “Corpo Nómada” é uma das apresentações mencionadas. Ao palco do Coliseu do Porto, na noite de 17 de junho, a companhia Ainda Não Tem Nome faz subir o pianista Filipe Raposo e João Paulo Raposo, que Julieta considera “o nosso grande exemplo de circo contemporâneo na Europa”.
“Turno da Noite”, do malabarista e performer brasileiro Uatumã Fattori, é outro espetáculo a não perder segundo a organização. Fattori foi o vencedor da primeira edição do Programa de Apoio à Criação em Circo Contemporâneo, promovido pelos festivais Vaudeville Rendez-Vous e Trengo.
O espetáculo intimista “Der Lauf”, da companhia gaulesa Les Vélocimanes, apresenta-se no Teatro Rivoli nos dias 19 e 20 de junho, onde convida os espectadores a guiar um malabarista que vai andar com um balde na cabeça “às cegas”.