Luís Montenegro: "Greve não trouxe nenhuma novidade ou solução"
- 03/06/2026 13:10
- Redação
Em conferência de imprensa, o primeiro-ministro salienta que a greve é um direito cívico e que o Governo não pretende colocar o seu exercício em causa, "nem nunca essa ideia passou pela cabeça". Contudo, considera necessário "conciliar" o direito à greve com "o direito dos outros, que, não fazendo greve, querem trabalhar".
"O que podemos constatar é que a esmagadora maioria dos portugueses hoje quis trabalhar, trabalhou e está a trabalhar. De uma forma geral, o setor privado não teve grande perturbação. Variadíssimas entidades, confederações empresariais, empresas, transmitiram-nos índices de adesão muito reduzidos. E na administração pública, onde em média a taxa de adesão andará nos 23%", afirma.
Montenegro sublinha que o Governo "ouve tudo aquilo que se diz, tudo aquilo que são manifestações de posição e opinião, vindas de todo o lado".
"Mas os portugueses não me levarão a mal, nem aqueles que fizeram greve, que eu possa constatar, em nome do Governo, que esta greve não trouxe nenhuma novidade e também não trouxe nenhuma solução. Aquilo que mais uma vez aconteceu foi que muitas pessoas, muitas famílias, foram prejudicadas indiretamente por causa desta greve", atira.
O primeiro-ministro apela a uma reflexão do país e, em particular, das estruturas sindicais sobre "o propósito e, depois, as consequências e o resultado deste tipo de jornadas de luta".
"Não estou a dizer com isto que não possa haver capacidade reivindicativa, que deve haver, ou que não possam ser utilizados todos os meios disponíveis. Apenas me parece, como cidadão, como português e como primeiro-ministro, que todos têm uma responsabilidade, que também integra as consequências dos nossos atos. A consequência desta greve, no final deste dia, parece-me que passou apenas por prejudicar a vida desta gente, porque as posições políticas que queriam ser transmitidas já eram conhecidas, já eram afirmadas por estas estruturas há bastante tempo", insiste.
Quanto à marcação desta quarta-feira para discutir o pacote laboral no Parlamento, algo que setores da oposição consideraram uma "provocação", Luís Montenegro desvia-se das culpas e remete o tema para a conferência de líderes da Assembleia da República (AR).
"A democracia está a funcionar, a AR terá a discussão da proposta de lei do Governo e a nossa convicção é que o Parlamento tem agora a possibilidade e a responsabilidade de contribuir com as suas posições para enriquecer o texto, para podermos ter uma lei do trabalho, um novo enquadramento jurídico das relações laborais que dê maior competitividade e produtividade à economia portuguesa", diz.
O objetivo deste pacote laboral, argumenta o primeiro-ministro, é que a economia tenha maior "dinamismo" e que o mercado do trabalho ofereça "mais e melhores oportunidades de emprego, para que se possa pagar melhores salários" e Portugal possa ter maiores índices de produtividade.
Enquanto Luís Montenegro falava, manifestantes reuniam-se em várias cidades do país, em protesto contra o pacote laboral.